• Exposições de Liliana Velho aos olhos de Gerbert Verheij

    On: 07/13/2017
    In: Cidade Pre0cupada, Exposições, OCT
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    “Como habitar um corpo sem órgãos”
    “Memórias de uma Clavícula”
    Exposições de LilianaVelho Li
    Oficinas do Convento / Galeria Municipal de Montemor-o-Novo
    Festival Cidade PreOcupada, Junho-Julho 2017

    “Na Oficinas do Convento, ao fundo do claustro, pendura-se um corpo sem órgãos. Ficou só o contorno dos membros, desenhados a cerâmica. Um rosto de sono tranquilo contempla – de olhos fechados – um céu branco de estrelas azuis: são dezenas de pequeníssimos pratos vidrados que cintilam contra o branco deslavado dum arco do claustro, sob os quais se aninha um discreto assento, propício para a meditação ou o namoro.
    Os órgãos, conta-nos a Liliana num texto levemente trocista, foram abolidos; o corpo deles se desfez em busca de outras formas de sentir e viver. Libertou-se da escravidão de rins, fígado, pulmões, bexiga, olhos e cérebro, guardando – já lá vamos – só o coração.
    A revolta do corpo, e também do coração, regista-se na Galeria Municipal. Lá a Liliana mostra uma sequência de pequenos poemas em cerâmica – historietas, anedotas, relatos da vida de um corpo em busca de … algo. Algo, talvez, que substituiu a rotina dos órgãos, a coscuvilhice dos ossos.
    Há cabeças, geralmente a dormir, negros ovários ou bacias em metamorfose, pés grandes ou pequenos como se fossem carcaças descalçadas, clavículas tagarelas, e também corações espetados, corações em flor, corações feitos de retalhos amassados em todas as cores do barro. E há outras histórias mais complexas: uma espécie de rapunzel de cabelo atado abraça duas ânforas no lugar do coração; outra figura segura a cara nas mãos enquanto pisa o coração; duas mãos de ásperas luvas sem dedos manuseiam o que parecem pulmões ressequidos; a mesma forma aparece atrás de uma grade, presidida por uma cara que me evoca a tristeza do palhaço; um corpo esvaziado – lá dentro ficaram só umas flores secas – segura a cabeça nos braços, penteando o cabelo, sob um firmamento de pentes que pode ser sonho ou ameaça … Há uma bailarina em queda, um rosto que espreita por cabelo feito tronco ou gruta, um velho com corpo de menina, uma escada que sobe pelas virilhas ao umbigo.
    Parece que a Liliana vai recolhendo todas estas pequenas e secretas histórias e as faz dela. Uma obra faz de auto-retrato: é um corpo-armário que guarda pequenas cópias da obra já feita (os pés e as mãos, os seios sem corpo, a cabeça que derrama fios de lã pelos olhos, os estranhos animais que sempre povoam as margens do seu mundo). Recordações e trastes que traz dentro de si, obras que fazem de órgãos e sentidos, encaminhando sensações e sentimentos.
    Volto então ao coração e à busca do que falta. É difícil de explicar esta certeza intuitiva de que não é só – como diz a artista no texto da sala – um corpo desfeito em paisagem ou cenário de fragmentos, mas também um corpo-memória, um corpo que se enfrenta ou mergulha numa suave carência. Talvez tem a ver com todos os corações presentes e ausentes. Há algo de ansiedade feita nostalgia.
    Na parede de fundo, uma surpresa nesta paisagem de doce desolação: dois mãos se juntam, mas nem são iguais, nem agarram só o vazio. Os contornos de dois corpos completam-se, fazem ninho por baixo de um cobertor, dão lugar a que os corações se multiplicam. ”

    Gerbert Verheij

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  • Territórios Temporários

    On: 06/30/2017
    In: Cidade Pre0cupada, Residências
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    Territórios Temporários

    performance | convento de S. Francisco | 2 julho | 22:00

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    performance e exposição | convento de S. Francisco | 2 julho até 9 Julho 

    Territórios Temporários é um espaço de intervenção sonora e aural num contexto específico de cidade ou lugar, que propõe um conjunto de eventos de escuta, no âmbito da “network performance”, de caráter performático e de instalação.

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    Esta iniciativa propõe a criação e exploração da ideia de “territórios temporários” enquanto espaços de intervenção sonora e aural num contexto específico de cidade ou lugar, que resultará num conjunto de eventos de escuta de caráter performático e de instalação.
    Um projeto que procura reforçar e aprofundar uma investigação alargada em torno das possibilidades que interfaces de suporte digital trazem para o campo da difusão sonora e da escuta enquanto ato performativo.
    Músicos, compositores e artistas sonoros são convidados a recriar “territórios temporários”. Num primeiro plano, físico, através da distribuição de vários pontos de emissão/recepção áudio ligados numa rede online centralizada; e num segundo plano, digital, extrapolando múltiplas configurações e trajetórias entre som e território.
    A prática artística propõe a articulação entre a infraestrutura digital desenvolvida e o contexto territorial em que esta se insere, nas dimensões da paisagem sonora, da arquitetura aural e da instrumentação musical, explorando metodologias e estratégias de improvisação e composição, cruzando música e artes sonoras.
    Procura-se, assim, desafiar as relações entre som, espaço e tempo, e a articulação e agenciamento que criadores, com recurso à infraestrutura criada e ao contexto específico onde decorre a prática, possam estabelecer entre elas, dando corpo a um conjunto de eventos artísticos no âmbito da “network performance”.
    Conta com um programa público que vai ter lugar nas cidades de Lisboa, Montemor-o-Novo e Porto, composto por dois ciclos de performances e instalações realizada por um conjunto de artistas convidados e duas oficinas, que procuram abrir a discussão e desafiar a experimentação do software desenvolvido.

    Territórios Temporários dá continuidade a uma prática de experimentação iniciada em 2015 com o projeto MATRIZ, de onde resultou o desenvolvimento de um software colaborativo de música em rede e a sua aplicação através de um conjunto de concertos, levados a cabo por um ensemble de músicos distribuído entre três cidades (Porto, Montemor-o-Novo e Lisboa).

     

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  • “Ar no Mar”

    On: 06/30/2017
    In: Cidade Pre0cupada
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    Ar no Mar

    cinema | convento de S. Francisco | 2 julho | 18:00

    ar no mar

    Um poema VISUAL. As relações entre o pensamento artístico da escultora Virgínia Fróis, e uma comunidade de oleiras, mulheres, em Cabo Verde, no pequeno lugar de Trás di Munti, na Ilha de Santiago.

    O mar, o céu e o azul que nos une.

    Obra “AR NO MAR”

    “…o errante, o que já não é viajante, nem descobridor, nem conquistador, procura conhecer a totalidade do mundo e sabe já que nunca conseguirá fazê-lo – e que é aí que reside a beleza ameaçada do mundo”

    Edouard Glissant in Poética da Relação

    Edouard Glissant fala-nos de uma linha de grilhetas no fundo do mar, uma rota feita com vidas afundadas. Brancusi no Monumento Tîrgu-Jiu (1938) lembra os mortos da 1ª Guerra, tornando presente para todos esse acontecimento em defesa do Rio Jiu.

    Hoje assistimos aos desastres no mar, náufragos sem ar para respirar, homens sem direitos e a deportação de emigrantes da Europa.

    O trabalho parte do modo de fazer da olaria, os potes para água como uma ideia/contentor uma forma circular em rotação. Criamos tubos para o ar no mar, contentores/coluna, formas que se abrem e fecham gerando um movimento em espiral infinito ligando o submerso e o emerso, um Axis mundi.

    Em Janeiro do ano de 2014, durante aproximadamente um mês, a comunidade de oleiras de Trás di Munti, participou, numa iniciativa de carácter artístico, com a escultora Virgínia Fróis. O resultado desse encontro foi a criação de uma série de peças, que ao serem empilhadas resultam no conjunto escultórico, Ar no Mar.

    Realização: Pedro da Conceição
    Sonoplastia e banda sonora: João bastos

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  • Alface em Flagrante II

    On: 06/30/2017
    In: Cidade Pre0cupada, Oficinas
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    oficina | oficina da criança | 3 e 4 julho | 15:00 às 18:00

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    Oficina de criação de cenários para cinema de animação
    Formadora: Alexandra Rato

    Durante 2 tardes, a Oficina da Criança recebe o ALFACE EM FLAGRANTE, uma oficina dirigida por Alexandra Gonçalves, que consiste na construção de cenários para cinema de animação, a partir da leitura de contos do escritor Alface, sendo a leitura dinamizada por um técnico da Biblioteca.

    Público alvo: dos 6 aos 16 anos
    Nota: máximo de 12 participantes; participação livre e gratuita, sem inscrições

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  • Novas Ferramentas para trabalhar em rede

    On: 06/30/2017
    In: Cidade Pre0cupada, Oficinas
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    formação | biblioteca municipal e casa das Associações | 4 julho

    CARTAZ - ENCONTRO FINAL

    4 julho
    14:30 – Novas ferramentas para trabalhar em rede – Acção de formação
    Casa das Associações

    Organização: Marca-ADL

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  • Noite

    On: 06/30/2017
    In: Cidade Pre0cupada, Exposições
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    exposição | galeria municipal | 5 julho até 22 Julho | 21:30

    noite

    Inauguração da exposição de Ana Pinto Almeida e João Rolaça
    João Rolaça, Supra-paisagem

    A cerâmica utiliza materiais naturais – minerais e orgânicos – que são a separação e purificação das matérias existentes na Natureza. Todas diferem entre si, todas constituem a paisagem, o mundo.

    Nesta instalação, estes ingredientes são combinados para refazer, recriar as cores do céu, nas suas gradações ao longo do dia e da noite. Integra elementos planos, horizontais e outros quasi geométricos, que criam uma dinâmica formal que remete para lugares distantes e cartografias imaginárias.

    Cerâmica, Instalação site-specific, 2017

    Ana Almeida Pinto, Ocaso
    Construída em específico para um local que agora se apropria de uma nova função, a instalação Ocaso irá saudar esse fluir de significados que o Humano concede aos espaços e aos objectos. Nomeamos e usamos tudo aquilo que nos rodeia, como que para tomarmos posse mesmo sabendo que o tempo passa e tudo muda. Olhamos para o passado como algo a ser ultrapassado. Que fazer então de todos os vestígios que vamos deixando ficar?
     
    Urge fazer uso dos objectos que existem para construir outros. Pegar no que já é e virá-lo do avesso. Das sombras tecer formas e criar novas narrativas naquilo que é obsoleto. Reclamar o ver e procurar sensações de descoberta naquilo que nos é quotidiano. Abrir a porta ao movimento e à acção, mesmo que difusa, para que em todos nos encontremos todos. Só assim serão possíveis novos sigificados. Como terá de ser.
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  • Quelccaya

    On: 06/30/2017
    In: Cidade Pre0cupada, Concertos
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    concerto | galeria municipal | 5 julho | 22:00

    DSCF0159Quelccaya é uma performance sonora de Daniel Llermaly, artista sonoro de origem chilena e a viver no Mexico. Nesta performance são combinadas gravações de campo e sintetizadores DIY criando composições em tempo real. Estas gravações foram obtidas no glaciar tropical Quelccaya, o maior glaciar deste tipo no mundo, localizado em Cuzco, Peru. Para registar estes sons foram usados vários dispositivos de gravação, como ditafones, gravadores de cassete ou hidrofones. Os instrumentos usados na performance são osciladores, sintetizadores, filtros e outros processadores construídos num workshop dado por Medialabmx.

    Ao processar este som pretende-se criar paisagens e ambientes que convidam a refletir sobre os efeitos da mudança climática nas comunidades que vivem na zona dos Andes.

    SOUNDCLOUD

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  • Open Day OCT

    On: 06/30/2017
    In: Cidade Pre0cupada, OCT, Oficinas
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    oficina | centro de investigação de cerâmica(antigos lavadouros) | 6 julho | 14:00 às 20:00

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    Vem experimentar barro no Centro de Investigação de Cerâmica

    Curiosos ou amantes da cerâmica, venham conhecer o nosso espaço e modelar. Uma tarde para aprender, pegar no barro e relaxar.

    Sem inscrição, entrada livre!

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