• Da Cultura em Montemor por A. M. Santos Nabo

    On: 01/15/2018
    In: Noticias
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    Folha de Montemor Janeiro 2018 Net 01 - editorial-page-001

    (jornal Folha de Montemor, Janiero 2018)

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  • 20 anos de Oficinas num Convento por Gerbert Verheij

    On: 01/15/2018
    In: Noticias
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    Folha de Montemor Janeiro 2018 Net 01 - artigo-convento-page-001“A 16 de Dezembro do ano findo as Oficinas do Convento lançaram um livro e um filme, ambos com o título 20 Anos de Oficinas num Convento, para lembrar e celebrar os primeiros vinte anos de actividade da Associação, criada em 1996. Frutos de uma campanha de angariação realizada em 2016 entre colaboradores e amigos, são o resultado de um mergulho a fundo pelos arquivos da associação e as memórias de fundadores, colaboradores e acompanhantes.

    A festividade teve lugar na Quinta do Plansel, e foi antecedida com uma visita à colecção de arte de Jorge Böhm, fundador do empreendimento vinícola e também coleccionador de arte. A sua colecção cobre sobretudo a arte alemã do último terço do século passado, sobre a qual falou com entusiasmo. A apresentação do livro, primorosamente desenhado por Joana Torgal, e do filme, realizado por Pedro Grenha, Rodolfo Pimenta e Rui Cacilhas, teve lugar nas caves da quinta, por entre os grandes tanques em aço inoxidável onde se conserva o vinho. Foi acompanhada pelas palavras de Virgínia e Tiago Fróis, respectivamente fundadora e actual presidente da associação, e da presidente da Câmara Municipal, Hortênsia Menino, que insistiu na relevância deste projecto para o município. Uma generosa prova dos nobres vinhos da Plansel ajudou a aquecer os presentes e preparar o leilão de arte que encerrava o programa.

     

    O livro, que pode ser adquirido através do e-mail oc@oficinasdoconvento.com, recolhe as vozes de 33 autores. Cada um traz a sua voz e inquietudes resultando numa grande diversidade de formatos, entre relatos, memórias, reflexões e muitas imagens. São abordadas áreas centrais na actividade da associação, desde a arquitectura e a cerâmica à electrónica, fotografia, música e investigação, mas também o que implica fazer programa cultural descentralizada ou como manter o vínculo com a vida comunitária local. Fala-se das origens da associação, dos lugares da cultura e dos caminhos da liberdade, de memória, rio e paisagem, de djambés, cavaquinhos e sonosculturas, de artes digitais, poéticas tecnológicas e construção vernacular. Fala-se da aventura cabo-verdiana, da responsabilidade que trazem os cuidados do lugar que se ocupam, da forma como as coisas nascem umas das outras e redes de relações e afinidades vão crescendo, e da complementaridade entre saber e fazer neste “tempo onde abunda a teoria e onda a prática é pouco valorizada.”

    Outras palavras-chave repescadas do livro e do filme (disponível no YouTube): resistência e persistência, inquietudes e curiosidade, acolher, partilhar e conviver, juntar, cruzar e integrar, crescer. Também de cidadania e fé (“um convento precisa de fé para se alimentar durante o tempo, não importa qual,” escreve José M. Rodrigues). A diversidade de vozes reflecte bem a variedade de percursos que se cruzaram e continuam a cruzar-se no Convento de S. Francisco, ao mesmo tempo laboratório, espaço de investigação e produção, estrutura de apoio e janela sobre a contemporaneidade, que traz, nas palavras de Ana Paula Amendoeira, Directora Regional de Cultura do Alentejo, “outra visão de futuro, utopicamente real.”

    Porque em cada memória há também um olhar para o futuro. “Estamos sempre no início,” nas palavras de Tiago Fróis. Em conversa com a Folha define a recuperação do Convento de S. Francisco e a profissionalização da equipa como os principais desafios para o futuro. “Montemor-o-Novo é actualmente conhecida como uma cidade-protótipo de ponto de vista cultural, e as Oficinas do Convento tem cada vez mais vindo a funcionar como uma estrutura que possibilita que outras coisas vão acontecendo, aberto a necessidades actuais e futuras, e a propostas que vão chegando. É por isso urgente melhorar as condições para acolher e potenciar com mais qualidade pessoas, projectos e ideias.” Tanto que já se fez, e tanto ainda por fazer, como o põe Sara Antónia Matos no prefácio do livro, que por isso mesmo é dedicado a “quem está por vir.””

    (texto jornal Folha de Montemor, Janeiro 2018)

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  • “20 anos de Oficinas num Convento”

    On: 12/26/2017
    In: Noticias, Publicações
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    3 O livro “2o Anos de Oficinas num Convento” já está disponivel para venda!

    20 anos de Oficinas num Convento celebra os 20 anos de actividade da Oficinas do Convento, associação cultural sediada em Montemor-o-Novo, Portugal. 33 autores são convidados a reflectir e celebrar 20 anos de trabalho, percorrendo temas como a arquitectura, a cerâmica e a etnocerâmica, a electrónica e a tecnologia, a música e a sonoscultura, a investigação científica, entre outros. Neste objecto, reúnem-se em grande plano reflexões acerca da programação cultural e da vida comunitária, dos desafios que se colocam a artistas e a produtores, do balanço de 20 anos de cultura descentralizada e do que o futuro guarda para um projecto de Arte e Cultura que se tem destacado pela criação de novos híbridos que cruzam as artes tradicionais com as novas linguagens contemporâneas. Porque todos os momentos são um recomeço, esta publicação é também uma celebração do que está por vir e de quem está por chegar, deixando antever uma inquietude tecnológica e poética profundamente enraizada no património material e imaterial do Alentejo.

     

    (Pode comprar o livro directamente na sede da Associação ( Convento de S. Francisco em Montemor-o-Novo) ou envie-nos um email para oc@oficinasdoconvento.com

     

     

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  • Lançamento do Livro e Filme “20 Anos de Oficinas num Convento” e Leilão de Arte com Prova de vinhos

    On: 11/24/2017
    In: Noticias, OCT, Outros Eventos, Publicações
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    cartaz-leilao16 Dezembro 2017 – Quinta da Plansel

    A Oficinas do Convento comemora no ano de 2017 o ser vigésimo aniversário e a titulo comemorativo convidamos todos a estarem presentes no dia 16 de Dezembro na Quinta da Plansel em Montemor-o-Novo

    Programa:

    14:30 – Visita à Colecção de Arte da Plansel, dirigida pelo colecionador Jorge Bohm.
    A Adega Plansel possui uma coleção de arte de formas modernas, incluindo trabalhos de Joseph Beuys, Gerhard Richter, Markus Luppertz, Michael Buthe, Jörg Immendorf, Friedensreich Hundertwasser, Bem Williken entre muitos outros. 

    15:30 – Lançamento do livro e filme “20 Anos de Oficinas num Convento”

    Filme: Realização Pedro Grenha, Rodolfo Pimenta e Rui Cacilhas

    Livro: Edição/Design Joana Torgal, Revisão Sandra Coelho, coordenação Oficinas do Convento

    16:15 – Leilão de Obras de Arte com Prova de Vinhos

    O Leilão será intercalado com prova dos vinhos da Adega Plansel. As obras pertencem a artistas colaboradores da Oficinas do Convento e prova de vinhos conduzida pela equipa da Plansel.

    Participação GRATUITA em todas as actividades

    (no local não existe multibanco pelo que solicitamos que vão preparados para o leilão!)

    Consultar Catálogo do Leilão

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  • “Jorge Calado na Oficinas do Convento” por Gerbert Verheij

    On: 11/22/2017
    In: Conversas, Noticias
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    _MG_8139“No dia 21 de Outubro Jorge Calado – coleccionador e crítico de fotografia, entre muitas outras coisas – esteve nas Oficinas do Convento, trazido por José M. Rodrigues para uma conversa à volta da luz. Literalmente: o público assistiu na penumbra à volta de uma mesa iluminada, onde se amontoavam fotografias que ao sabor da conversa iam saindo do seu invólucro de plástico-bolha.

    A vida de Jorge Calado, já quase octogenário, junta um currículo científico muito relevante a um persistente interesse pelas artes, com uma predilecção especial pela fotografia. Como recordou o próprio, começou a coleccionar esta arte na primavera de 1980, em Nova Iorque, quase ao acaso: foi seduzido pelas obras de Robert Mapplethorpe, soube da sua galeria e lá comprou a sua primeira fotografia. José M. Rodrigues, na sua breve apresentação, insistiu na singularidade da colecção de Calado, construída na senda destes acasos e encontros com o gosto próprio por único critério, e que no entanto contempla todas as fases da história da fotografia.

    O conversante ia mostrando algumas que trouxe “lá de casa” – Walker Evans, Nicholas Nixon, Brassaï, Gérard Castello-Lopes, André Kertész, William Henry Jackson, Vivian Maier… Pelo meio do festim visual falava da fotografia, da ciência, de gostos e desgostos. O que o atrai na fotografia é que (falamos da fotografia analógica) de todas as artes é a mais próxima à vida: nasce, revelando-se na penumbra por um processo químico, envelhece, amarelando, descolorando, até desaparecer, morrendo. São coisas vivas, e por isso Calado prefere as imagens vintage (originais feitos perto do momento da revelação, que se distinguem de impressões posteriores a partir dos negativos), não por que são mais raras mas porque têm idade, rugas, descoloração, marcas de uso, história.

    Já para o fim Calado deixou uma pista para a secreta ordem que rege a sua colecção, e para a relação que ele próprio forjou com a fotografia: gosta de ser seduzido pela imagem, de ser surpreendido, e foi desde este desejo que nos falou da mais democrática e liberal das artes.”

    por Gerbert Verheij, publicado no jornal Folha de Montemor, Novembro 2017

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  • “Sonosculturas na Galeria Municipal” por Gerbert Verheij

    On: 11/22/2017
    In: Exposições, Noticias, Oficinas, Residências
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    _MG_8333Sonosculturas na Galeria Municipal

    “Durante duas semanas, dois ruidosos animais de cerâmica davam as boas-vindas aos visitantes da Galeria Municipal. Resgatados (ou raptados) de um dos pacatos canteiros do claustro do Convento de São Francisco, foram dotadas de alto-falantes no lugar das cabeças. Reproduziam com súbitas vibrações sons surpreendentes (tratava-se de gravações de uma ripa de madeira tocada com arco de violino). Lá dentro, a exposição – que ocupava todos os espaços da galeria, sem desdenhar a casa de banho ou o vão-de-escada do bar – rapidamente nos envolvia. Logo à entrada, uma instalação colectiva de paralelepípedos metálicos movidos a ventoinhas, velhos gira-discos e pedras produzia algo como um lento banho de imersão sonora. Ao lado, fitas magnéticas fustigavam um balão de bomba de água, uma grande roda fazia incessantemente o seu caminho por um círculo de areia e, por artes de magnetismo, um montinho de tinta de toner (que é magnética) ecoava o mesmo movimento circular numa folha suspensa. Cada som – a trituração da areia, a agitação de fitas, o embate de metal é captada por microfones de contacto e amplificado, elevando estes ruídos à partida banais ao domínio do som. No jogo entre a tecnologia – os fios e cabos, as amplificadoras e mesas de mistura, motores – e materiais muitas vezes obsoletos, sobras ou restos que sempre carregam um pouco de memória de vida prévia, o som ganhava espessura e presença, ocupando o espaço como se também tivesse a sua própria materialidade.

    Seguiam-se mais instalações: peças gémeas que tagarelam entre si, água que cai e borbulha, pequenas telhas que tremulam sobre madeira, walkie-talkies sobre rodas de oleiro que ora se aproximam e afastam, produzindo uma sinfonia em feedback, peças que dançam, embatem ou rolam… Uma peça para tocar, espécie de bateria caseira feita de panelas com água, fez as delícias dos mais pequenos (e não só). Todas estas peças foram o resultado de uma oficina dirigida por Nuno Rebelo nas Oficinas do Convento. Musico e artista de currículo impressionante (fez, entre muitas outras coisas, o hino do Expo ‘98), conta que desde sempre se interessou em aumentar a “paleta” dos sons com que se pode fazer música. A música pode definir-se, diz, como a “arte de articulação dos sons”. As “sonosculturas” ligam este repertório sonoro expandido a uma incursão pelo território das artes plásticas. A exposição mostra que é uma intersecção muito fértil.”

    por Gerbert Verheij  , publicado no jornal Folha de Montemor, Novembro 2017

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  • Exploradores Sonoros

    On: 11/21/2017
    In: Noticias, Oficinas
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    ECSClA Exploradores Sonoros é uma actividade que acontece desde 2013 sob a orientação de João Bastos (músico/compositor) e Lourdes Morillo (musicoterapeuta). Desde o inicio que a proposta da actividade é adaptada a diversos publicos tendo já acontecido tanto com jovens músicos, como com o público juvenil, infantil, idosos, ou pessoas com deficiencias várias. O público escolhido para este ano foi estudantes de música e grupo de teatro sénior acontecendo em dois locais – Ofiício das Artes (22 Setembro) e Universidade Sénior  (27 de novembro, 4, 11 e 18 de dezembro).
    A Exploradores Sonoros deste ano tem como objectivo abrir os horizontes da Física do Som (Oficio das artes) e promover a exploração musical e sonora (Grupo de teatro da Universidade Sénior).
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  • Encontro de Telheiros do Sul por Gerbert Verheij

    On: 11/15/2017
    In: Conversas, Noticias
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    Encontro dos Telheiros do Sul, em Montemor-o-Novo

    “No dia 4 de Novembro teve lugar, na Ermida de S. Pedro da Ribeira, um encontro dedicado aos telheiros, ou seja, unidades de produção tradicional de materiais de construção em cerâmica, como tijolos, tijoleiras e telhas, também designados por ladrilho, adobo, lambaz, etc. Com este encontro pretendia-se aproximar interessados e profissionais ligados à construção tradicional e ao património, promovendo a preservação e viabilidade de uma actividade essencial à preservação do património arquitectónico. É um primeiro fruto intercalar de um projecto de investigação do Laboratório de Terra das Oficinas do Convento, em Montemor-o-Novo, coordenado pela arquitecta Tânia Teixeira, que também moderou o encontro. No âmbito deste projecto foram inventariados onze telheiros em actividade no Alentejo e no Algarve, sem contar com o próprio Telheiro das Oficinas do Convento. Destes, seis estiveram presentes no encontro.

    No debate participaram, além dos mestres dos telheiros e outros interessados, a Dra. Ana Paula Amendoeira, da Direcção Regional da Cultura do Alentejo, e a presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Hortênsia Menino. As conversas foram férteis, e além do rico repertório de saber fazer que aflorou ao longo do diálogo – desde o forno à inglesa à produção de talhas para vinho – foi surgindo o panorama dos problemas que esta actividade enfrenta. Para além do carácter residual que, também economicamente, a produção artesanal ocupa dentro do sector de construção, eram sobretudo as crescentes barreiras de ordem burocrática que foram alvo de preocupação. A legislação vigente, com o louvável intuito de proteger a natureza e o ambiente, não toma em conta as diferenças de escalas entre produção industrial e artesanal. Assim dificulta ou impossibilita mesmo aspectos inerentes à actividade dos telheiros, desde a extracção do barro aos fogos e fumos dos fornos.

    Neste sentido, e apesar de toda a retórica sobre a valorização do artesanato e da produção local, as políticas adoptadas acabam, na prática, por favorecer a grande indústria, capaz de responder aos regulamentos, proibições e taxas impostas, enquanto torna o funcionamento dos telheiros cada vez mais difícil. Na investigação coordenada por Tânia Teixeira, os entraves legais foram identificados como um factor relevante no desaparecimento de um grande número de telheiros nos últimos dez anos. Na prática, os profissionais do ramo muitas vezes sentem que estão a trabalhar de forma meio clandestina, sempre com medo de uma queixa, multa ou ordem de fecho que ponha fim à actividade. E isto quando se trata não só de uma actividade residual, e por isso de pouco impacto ambiental, mas também de uma prática com valências ecológicas próprias que largamente o compensam, desde a redução do transporte pela produção local ao equilíbrio face aos recursos naturais, ou mesmo as próprias qualidades dos materiais produzidos em termos de energia incorporada, inércia térmica, reutilização e decomposição.

    Um caso bem ilustrativo da contradição política em causa é o dos vinhos de talha. Considerado em risco de extinção, está actualmente a ser promovido como património cultural imaterial. No entanto, este esforço não contempla políticas efectivas para conservar a técnica – incluindo telheiros, fornos e mestres – necessária para produzir as enormes vasilhas de barro em que este vinho é estagiado, e que podem chegar a ter mais de dois metros de altura. Já pouca gente as sabe fazer, e uma vez perdida será difícil recuperar esta arte. Os saberes tradicionais são complementares, e a perda de uns afecta os outros.

    Impõe-se, portanto, a valorização e protecção desta actividade, cuja perda poderá pôr em risco toda uma gama de produtos, saberes e práticas tradicionais que dela dependem, bem como as possibilidades de restauro do património com materiais adequados. Da parte dos representantes da administração presentes no encontro ouvimos sugestões prometedoras para contrariar a tendência actual. Esperamos que frutifiquem, e que, tanto a nível nacional quanto local, se vá fomentando a compreensão do valor patrimonial dos telheiros e valorizando o saber fazer das mãos do artesão.”

    Gerbert Verheij

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