• Bi0n Talks

    On: 08/13/2018
    In: Conversas, Noticias, OCT
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    38999885_2113591698719479_751668935211876352_oDia 18 de Agosto venham celebrar connosco o final de um ciclo que trará certamente novos inícios!
    Depois de mais uma semana de trabalho árduo, dia 18.08.18 celebramos num dia intenso de partilhas, conversas, comida, música, dança a conclusão do projecto LearnBIØN que decorreu durante os últimos dois anos e meio.
    Construímos juntos para além das estruturas físicas que ficam espalhadas pelos 5 países do projecto, laços de colaboração e partilha que transcendem fronteiras.
    Apartir das 10:00 às 18:00 nas Oficinas da Cerâmica e da Terra, conversas com os parceiros e com o convidado Miguel Mendes.
    Apartir das 23:00 nas Oficinas Do Convento vamos dançar com os Ohxalá!
    A entrada é livre (almoço/ jantar por 5€ com reserva até dia 16.08 at learnbion@gmail.com – no dia, sujeito à disponibilidade existente)
    Oxalá apesar do final deste ciclo a energia deste colectivo perdure no tempo no tempo!
    Um bem-haja a todos os que de alguma maneira tornaram mais rica e possível esta aventura!
    www.bi0n.eu
    CONVERSAS COM:
    AES Architectural Environmental Strategies (SE)
    AK0 Architecttura a Km Zero (IT)
    ARCò Architettura Cooperazione (IT)
    Canyaviva (ES)
    Dehesa Tierra (ES)
    HE2B Haute École de Bruxelles et Barbant (BE)
    Oficinas do Convento (PT)
    Com convidado especial Arq. Miguel Mendes

    Come to celebrate with us the end of a cycle that hopefully will bring new beginnings!
    After another week of hard work, on the 18.08.18 we will celebrate the conclusion of two and a half years of the LearnBIØN project, with an intense day of sharing, talks, good food, music and dance.
    Apart from building physical structures and spaces that are spread across the 5 project countries, we built a network of collaboration and sharing that goes beyond boundaries.
    From 10:00 to 18:00 at Oficinas da Cerâmica e da Terra there will be talks with the project partners and the special guest Miguel Mendes.
    From 23:00 at Oficinas Do Convento we will dance with Ohxalá!
    Free entrance (lunch/dinner 5€, under reservation until 16.08 at learnbion@gmail.com > reservations on the same day will be subject to availability)
    Oxalá (hopefully) the energy of this collective will continue for many years to come!
    our immense gratitude goes out to everyone that made this adventure possible and in anyway richer!
    www.bi0n.eu

    TALKS WITH:

    AES Architectural Environmental Strategies (SE)
    AK0 Architecttura a Km Zero (IT)
    ARCò Architettura Cooperazione (IT)
    Canyaviva (SP)
    Dehesa Tierra (SP)
    HE2B Haute École de Bruxelles et Barbant (BE)
    Oficinas do Convento (PT)
    Special Guest Arch. Miguel Mendes
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  • Open Call for Artistic Residencies – Tijolo |Brick

    On: 08/06/2018
    In: Noticias, OCT, Outros Eventos, Residências
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    (please scroll down to read in English)

    Bolsa-Tijolo

    PT//

    Tijolo | Residências Artísticas

    CONCURSO PARA RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS NA OFICINAS DO CONVENTO

    Candidaturas abertas até dia 15 Agosto

    Duração da residência: 1 mês

    Enquadrado pelo programa quadrienal Técnica, Artes e Lugares, A Oficinas do Convento abre em 2018 um Concurso para Residências Artística na Oficinas do Convento tendo como mote o Tijolo enquanto elemento base para a criação artística.

    CONTEXTUALIZAÇÃO

    Fabricado e utilizado por todas as culturas do mundo, o tijolo é um objecto intemporal, de formatos e dimensões relativamente regulares, porém de uma diversidade que condiz com as diferenças culturais existentes. De fabrico antigo ou moderno, a sua prevalência social torna também visível a identidade existente entre os homens.

    Os tijolos produzidos no Telheiro da Encosta do Castelo, Montemor-o-Novo, são de influência medieval, proveniente ainda da tradição romana e bizantina[1]. De uma constituição arenosa, feitos de uma pasta de argila, terra e água, numa consistência próxima à da lama, os tijolos apresentam aspecto maciço e evidenciam a manufactura artesanal, pelas marcas da mão inscritas na superfície. Sendo de produção antiga, os tijolos têm também a característica de fazerem parte da imagem das construções vernaculares do Alentejo. No entanto, a propósito dos cruzamentos disciplinares desenrolados pelas Oficinas do Convento e o contexto artístico onde se insere a associação, pretende-se fomentar a utilização do tijolo na criação artística e valorizar os recursos existentes no Telheiro da Encosta do Castelo, quer no âmbito da produção de materiais de construção, quer no âmbito do apoio à criação artística, propondo assim a realização de residências na área artística que tenham o tijolo como base para a criação.

    Aqui, o tijolo, além de poder ser pensado na sua dimensão mais imediata — objectual e construtiva — evidenciando aspectos de produção, formação, conformação ou aplicação, poderá ser considerado também na sua vertente poética, social, histórica ou cultural.

    Tais âmbitos de abordagem poderão ser explorados em diferentes linguagens da criação — escultura, instalação, vídeo, fotografia, desenho, entre outros — cruzando ou tocando casualmente as fronteiras da arquitectura e do design.

    Sem desmerecer ou preterir a elaboração de esculturas de índole objectual, no caso de projectos de maior escala, dar-se-á prioridade a propostas de carácter efémero, processual ou de índole colaborativa que resolvam, neste último caso, eventuais questões práticas da cidade.

    APRESENTAÇÃO BREVE

    O tijolo pode ser pensado e usado na sua dimensão mais imediata — objectual e construtiva — evidenciando aspectos de produção, formação, conformação ou aplicação ou ser considerado na sua vertente poética, social, histórica ou cultural, explorando a diversidade e as potencialidades formais e conceptuais do tijolo, através de diferentes linguagens da criação.

    Assim, este concurso destina-se a autores das seguintes áreas:

    • artes-plásticas: escultura e/ou pintura
    • arquitectura
    • cerâmica
    • desenho
    • design
    • escrita
    • fotografia
    • instalação
    • vídeo

    [1] FRÓIS, Virgínia, SILVA, Vasco Fernando Dias, Realibitação de um Telheiro em Montemor- o-

    Novo, In ArteTeoria, Revista do CIEBA – Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes –

    Secção Francisco de Holanda, no 14/15, 2011/2012, Lisboa, p. 101.

    REGULAMENTO  FICHA DE INSCRIÇÃO

     

    Brick-CallEN//

    Brick | Artistic Residencies

    Open Call for Artistic Residencies in Oficinas do Convento

    Last day for the applications is on the 15th August.

    These Artistic Residencies are part of the program “Técnica, Artes and Lugares”, the project,opens in 2018, an open call for Artistic Residencies in Oficinas do Convento having as a motto the Brick as a basis element for artistic creation.

    Contextualization

    Manufactured and used by all of the cultures in the world, the brick is a timeless object, with relatively regular formats and dimensions, nevertheless of a diversity that matches with the existing cultural differences. From old or new manufacture, its social prevalence gives visibility to the existing identity between men.

    The bricks produced in Telheiro da Encosta do Castelo, Montemor-o-Novo, are of medieval influence, stemmed from the roman and byzantine traditions. From a sandy composition, made from a clay paste, earth and water, in a consistency similar to the mud, the bricks present a solid aspect and highlight the manual manufacture by the hand marks on its surface. Being of old production, the bricks are also part of the vernacular constructions of Alentejo. Nevertheless, as a result of the disciplinary intersections developed by the Oficinas do Convento and its artistic context. It is investigated the use of brick in the artistic creation and to value the existent resources in Telheiro da Encosta do Castelo, in a material production context and as a support for the artistic creation.

    Such contexts of approach can be explored in different languages of creation – sculpture, installation, video, photography, drawing, and more – crossing or touching in a casual way the borders of architecture and design.

    Application Process

    The main aim of Brica-Artistic Residencies is to think and explore this product in its most immediate dimension – objective and constructive – highlighting the production aspects, formation, conformation or application, or in its poetical, social, historical or cultural aspect, exploring the diversity and the formal and conceptual potentialities of the brick, through different languages of creation.

    Therefore, this call is destined to artistic proposals in the following areas:

    • Plastic arts: sculpture and/or painting
    • Architecture
    • Ceramics
    • Drawing
    • Design
    • Writing
    • Photography
    • Installation
    • Video

    REGULATION     APPLICATION FORM

     

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  • Da Cultura em Montemor por A. M. Santos Nabo

    On: 01/15/2018
    In: Noticias
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    Folha de Montemor Janeiro 2018 Net 01 - editorial-page-001

    (jornal Folha de Montemor, Janiero 2018)

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  • 20 anos de Oficinas num Convento por Gerbert Verheij

    On: 01/15/2018
    In: Noticias
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    Folha de Montemor Janeiro 2018 Net 01 - artigo-convento-page-001“A 16 de Dezembro do ano findo as Oficinas do Convento lançaram um livro e um filme, ambos com o título 20 Anos de Oficinas num Convento, para lembrar e celebrar os primeiros vinte anos de actividade da Associação, criada em 1996. Frutos de uma campanha de angariação realizada em 2016 entre colaboradores e amigos, são o resultado de um mergulho a fundo pelos arquivos da associação e as memórias de fundadores, colaboradores e acompanhantes.

    A festividade teve lugar na Quinta do Plansel, e foi antecedida com uma visita à colecção de arte de Jorge Böhm, fundador do empreendimento vinícola e também coleccionador de arte. A sua colecção cobre sobretudo a arte alemã do último terço do século passado, sobre a qual falou com entusiasmo. A apresentação do livro, primorosamente desenhado por Joana Torgal, e do filme, realizado por Pedro Grenha, Rodolfo Pimenta e Rui Cacilhas, teve lugar nas caves da quinta, por entre os grandes tanques em aço inoxidável onde se conserva o vinho. Foi acompanhada pelas palavras de Virgínia e Tiago Fróis, respectivamente fundadora e actual presidente da associação, e da presidente da Câmara Municipal, Hortênsia Menino, que insistiu na relevância deste projecto para o município. Uma generosa prova dos nobres vinhos da Plansel ajudou a aquecer os presentes e preparar o leilão de arte que encerrava o programa.

     

    O livro, que pode ser adquirido através do e-mail oc@oficinasdoconvento.com, recolhe as vozes de 33 autores. Cada um traz a sua voz e inquietudes resultando numa grande diversidade de formatos, entre relatos, memórias, reflexões e muitas imagens. São abordadas áreas centrais na actividade da associação, desde a arquitectura e a cerâmica à electrónica, fotografia, música e investigação, mas também o que implica fazer programa cultural descentralizada ou como manter o vínculo com a vida comunitária local. Fala-se das origens da associação, dos lugares da cultura e dos caminhos da liberdade, de memória, rio e paisagem, de djambés, cavaquinhos e sonosculturas, de artes digitais, poéticas tecnológicas e construção vernacular. Fala-se da aventura cabo-verdiana, da responsabilidade que trazem os cuidados do lugar que se ocupam, da forma como as coisas nascem umas das outras e redes de relações e afinidades vão crescendo, e da complementaridade entre saber e fazer neste “tempo onde abunda a teoria e onda a prática é pouco valorizada.”

    Outras palavras-chave repescadas do livro e do filme (disponível no YouTube): resistência e persistência, inquietudes e curiosidade, acolher, partilhar e conviver, juntar, cruzar e integrar, crescer. Também de cidadania e fé (“um convento precisa de fé para se alimentar durante o tempo, não importa qual,” escreve José M. Rodrigues). A diversidade de vozes reflecte bem a variedade de percursos que se cruzaram e continuam a cruzar-se no Convento de S. Francisco, ao mesmo tempo laboratório, espaço de investigação e produção, estrutura de apoio e janela sobre a contemporaneidade, que traz, nas palavras de Ana Paula Amendoeira, Directora Regional de Cultura do Alentejo, “outra visão de futuro, utopicamente real.”

    Porque em cada memória há também um olhar para o futuro. “Estamos sempre no início,” nas palavras de Tiago Fróis. Em conversa com a Folha define a recuperação do Convento de S. Francisco e a profissionalização da equipa como os principais desafios para o futuro. “Montemor-o-Novo é actualmente conhecida como uma cidade-protótipo de ponto de vista cultural, e as Oficinas do Convento tem cada vez mais vindo a funcionar como uma estrutura que possibilita que outras coisas vão acontecendo, aberto a necessidades actuais e futuras, e a propostas que vão chegando. É por isso urgente melhorar as condições para acolher e potenciar com mais qualidade pessoas, projectos e ideias.” Tanto que já se fez, e tanto ainda por fazer, como o põe Sara Antónia Matos no prefácio do livro, que por isso mesmo é dedicado a “quem está por vir.””

    (texto jornal Folha de Montemor, Janeiro 2018)

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  • “20 anos de Oficinas num Convento”

    On: 12/26/2017
    In: Noticias, Publicações
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    3 O livro “2o Anos de Oficinas num Convento” já está disponivel para venda!

    20 anos de Oficinas num Convento celebra os 20 anos de actividade da Oficinas do Convento, associação cultural sediada em Montemor-o-Novo, Portugal. 33 autores são convidados a reflectir e celebrar 20 anos de trabalho, percorrendo temas como a arquitectura, a cerâmica e a etnocerâmica, a electrónica e a tecnologia, a música e a sonoscultura, a investigação científica, entre outros. Neste objecto, reúnem-se em grande plano reflexões acerca da programação cultural e da vida comunitária, dos desafios que se colocam a artistas e a produtores, do balanço de 20 anos de cultura descentralizada e do que o futuro guarda para um projecto de Arte e Cultura que se tem destacado pela criação de novos híbridos que cruzam as artes tradicionais com as novas linguagens contemporâneas. Porque todos os momentos são um recomeço, esta publicação é também uma celebração do que está por vir e de quem está por chegar, deixando antever uma inquietude tecnológica e poética profundamente enraizada no património material e imaterial do Alentejo.

     

    (Pode comprar o livro directamente na sede da Associação ( Convento de S. Francisco em Montemor-o-Novo) ou envie-nos um email para oc@oficinasdoconvento.com

     

     

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  • Lançamento do Livro e Filme “20 Anos de Oficinas num Convento” e Leilão de Arte com Prova de vinhos

    On: 11/24/2017
    In: Noticias, OCT, Outros Eventos, Publicações
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    cartaz-leilao16 Dezembro 2017 – Quinta da Plansel

    A Oficinas do Convento comemora no ano de 2017 o ser vigésimo aniversário e a titulo comemorativo convidamos todos a estarem presentes no dia 16 de Dezembro na Quinta da Plansel em Montemor-o-Novo

    Programa:

    14:30 – Visita à Colecção de Arte da Plansel, dirigida pelo colecionador Jorge Bohm.
    A Adega Plansel possui uma coleção de arte de formas modernas, incluindo trabalhos de Joseph Beuys, Gerhard Richter, Markus Luppertz, Michael Buthe, Jörg Immendorf, Friedensreich Hundertwasser, Bem Williken entre muitos outros. 

    15:30 – Lançamento do livro e filme “20 Anos de Oficinas num Convento”

    Filme: Realização Pedro Grenha, Rodolfo Pimenta e Rui Cacilhas

    Livro: Edição/Design Joana Torgal, Revisão Sandra Coelho, coordenação Oficinas do Convento

    16:15 – Leilão de Obras de Arte com Prova de Vinhos

    O Leilão será intercalado com prova dos vinhos da Adega Plansel. As obras pertencem a artistas colaboradores da Oficinas do Convento e prova de vinhos conduzida pela equipa da Plansel.

    Participação GRATUITA em todas as actividades

    (no local não existe multibanco pelo que solicitamos que vão preparados para o leilão!)

    Consultar Catálogo do Leilão

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  • “Jorge Calado na Oficinas do Convento” por Gerbert Verheij

    On: 11/22/2017
    In: Conversas, Noticias
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    _MG_8139“No dia 21 de Outubro Jorge Calado – coleccionador e crítico de fotografia, entre muitas outras coisas – esteve nas Oficinas do Convento, trazido por José M. Rodrigues para uma conversa à volta da luz. Literalmente: o público assistiu na penumbra à volta de uma mesa iluminada, onde se amontoavam fotografias que ao sabor da conversa iam saindo do seu invólucro de plástico-bolha.

    A vida de Jorge Calado, já quase octogenário, junta um currículo científico muito relevante a um persistente interesse pelas artes, com uma predilecção especial pela fotografia. Como recordou o próprio, começou a coleccionar esta arte na primavera de 1980, em Nova Iorque, quase ao acaso: foi seduzido pelas obras de Robert Mapplethorpe, soube da sua galeria e lá comprou a sua primeira fotografia. José M. Rodrigues, na sua breve apresentação, insistiu na singularidade da colecção de Calado, construída na senda destes acasos e encontros com o gosto próprio por único critério, e que no entanto contempla todas as fases da história da fotografia.

    O conversante ia mostrando algumas que trouxe “lá de casa” – Walker Evans, Nicholas Nixon, Brassaï, Gérard Castello-Lopes, André Kertész, William Henry Jackson, Vivian Maier… Pelo meio do festim visual falava da fotografia, da ciência, de gostos e desgostos. O que o atrai na fotografia é que (falamos da fotografia analógica) de todas as artes é a mais próxima à vida: nasce, revelando-se na penumbra por um processo químico, envelhece, amarelando, descolorando, até desaparecer, morrendo. São coisas vivas, e por isso Calado prefere as imagens vintage (originais feitos perto do momento da revelação, que se distinguem de impressões posteriores a partir dos negativos), não por que são mais raras mas porque têm idade, rugas, descoloração, marcas de uso, história.

    Já para o fim Calado deixou uma pista para a secreta ordem que rege a sua colecção, e para a relação que ele próprio forjou com a fotografia: gosta de ser seduzido pela imagem, de ser surpreendido, e foi desde este desejo que nos falou da mais democrática e liberal das artes.”

    por Gerbert Verheij, publicado no jornal Folha de Montemor, Novembro 2017

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  • “Sonosculturas na Galeria Municipal” por Gerbert Verheij

    On: 11/22/2017
    In: Exposições, Noticias, Oficinas, Residências
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    _MG_8333Sonosculturas na Galeria Municipal

    “Durante duas semanas, dois ruidosos animais de cerâmica davam as boas-vindas aos visitantes da Galeria Municipal. Resgatados (ou raptados) de um dos pacatos canteiros do claustro do Convento de São Francisco, foram dotadas de alto-falantes no lugar das cabeças. Reproduziam com súbitas vibrações sons surpreendentes (tratava-se de gravações de uma ripa de madeira tocada com arco de violino). Lá dentro, a exposição – que ocupava todos os espaços da galeria, sem desdenhar a casa de banho ou o vão-de-escada do bar – rapidamente nos envolvia. Logo à entrada, uma instalação colectiva de paralelepípedos metálicos movidos a ventoinhas, velhos gira-discos e pedras produzia algo como um lento banho de imersão sonora. Ao lado, fitas magnéticas fustigavam um balão de bomba de água, uma grande roda fazia incessantemente o seu caminho por um círculo de areia e, por artes de magnetismo, um montinho de tinta de toner (que é magnética) ecoava o mesmo movimento circular numa folha suspensa. Cada som – a trituração da areia, a agitação de fitas, o embate de metal é captada por microfones de contacto e amplificado, elevando estes ruídos à partida banais ao domínio do som. No jogo entre a tecnologia – os fios e cabos, as amplificadoras e mesas de mistura, motores – e materiais muitas vezes obsoletos, sobras ou restos que sempre carregam um pouco de memória de vida prévia, o som ganhava espessura e presença, ocupando o espaço como se também tivesse a sua própria materialidade.

    Seguiam-se mais instalações: peças gémeas que tagarelam entre si, água que cai e borbulha, pequenas telhas que tremulam sobre madeira, walkie-talkies sobre rodas de oleiro que ora se aproximam e afastam, produzindo uma sinfonia em feedback, peças que dançam, embatem ou rolam… Uma peça para tocar, espécie de bateria caseira feita de panelas com água, fez as delícias dos mais pequenos (e não só). Todas estas peças foram o resultado de uma oficina dirigida por Nuno Rebelo nas Oficinas do Convento. Musico e artista de currículo impressionante (fez, entre muitas outras coisas, o hino do Expo ‘98), conta que desde sempre se interessou em aumentar a “paleta” dos sons com que se pode fazer música. A música pode definir-se, diz, como a “arte de articulação dos sons”. As “sonosculturas” ligam este repertório sonoro expandido a uma incursão pelo território das artes plásticas. A exposição mostra que é uma intersecção muito fértil.”

    por Gerbert Verheij  , publicado no jornal Folha de Montemor, Novembro 2017

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