• “Jorge Calado na Oficinas do Convento” por Gerbert Verheij

    On: 11/22/2017
    In: Conversas, Noticias
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    _MG_8139“No dia 21 de Outubro Jorge Calado – coleccionador e crítico de fotografia, entre muitas outras coisas – esteve nas Oficinas do Convento, trazido por José M. Rodrigues para uma conversa à volta da luz. Literalmente: o público assistiu na penumbra à volta de uma mesa iluminada, onde se amontoavam fotografias que ao sabor da conversa iam saindo do seu invólucro de plástico-bolha.

    A vida de Jorge Calado, já quase octogenário, junta um currículo científico muito relevante a um persistente interesse pelas artes, com uma predilecção especial pela fotografia. Como recordou o próprio, começou a coleccionar esta arte na primavera de 1980, em Nova Iorque, quase ao acaso: foi seduzido pelas obras de Robert Mapplethorpe, soube da sua galeria e lá comprou a sua primeira fotografia. José M. Rodrigues, na sua breve apresentação, insistiu na singularidade da colecção de Calado, construída na senda destes acasos e encontros com o gosto próprio por único critério, e que no entanto contempla todas as fases da história da fotografia.

    O conversante ia mostrando algumas que trouxe “lá de casa” – Walker Evans, Nicholas Nixon, Brassaï, Gérard Castello-Lopes, André Kertész, William Henry Jackson, Vivian Maier… Pelo meio do festim visual falava da fotografia, da ciência, de gostos e desgostos. O que o atrai na fotografia é que (falamos da fotografia analógica) de todas as artes é a mais próxima à vida: nasce, revelando-se na penumbra por um processo químico, envelhece, amarelando, descolorando, até desaparecer, morrendo. São coisas vivas, e por isso Calado prefere as imagens vintage (originais feitos perto do momento da revelação, que se distinguem de impressões posteriores a partir dos negativos), não por que são mais raras mas porque têm idade, rugas, descoloração, marcas de uso, história.

    Já para o fim Calado deixou uma pista para a secreta ordem que rege a sua colecção, e para a relação que ele próprio forjou com a fotografia: gosta de ser seduzido pela imagem, de ser surpreendido, e foi desde este desejo que nos falou da mais democrática e liberal das artes.”

    por Gerbert Verheij, publicado no jornal Folha de Montemor, Novembro 2017

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  • Encontro de Telheiros do Sul por Gerbert Verheij

    On: 11/15/2017
    In: Conversas, Noticias
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    Encontro dos Telheiros do Sul, em Montemor-o-Novo

    “No dia 4 de Novembro teve lugar, na Ermida de S. Pedro da Ribeira, um encontro dedicado aos telheiros, ou seja, unidades de produção tradicional de materiais de construção em cerâmica, como tijolos, tijoleiras e telhas, também designados por ladrilho, adobo, lambaz, etc. Com este encontro pretendia-se aproximar interessados e profissionais ligados à construção tradicional e ao património, promovendo a preservação e viabilidade de uma actividade essencial à preservação do património arquitectónico. É um primeiro fruto intercalar de um projecto de investigação do Laboratório de Terra das Oficinas do Convento, em Montemor-o-Novo, coordenado pela arquitecta Tânia Teixeira, que também moderou o encontro. No âmbito deste projecto foram inventariados onze telheiros em actividade no Alentejo e no Algarve, sem contar com o próprio Telheiro das Oficinas do Convento. Destes, seis estiveram presentes no encontro.

    No debate participaram, além dos mestres dos telheiros e outros interessados, a Dra. Ana Paula Amendoeira, da Direcção Regional da Cultura do Alentejo, e a presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Hortênsia Menino. As conversas foram férteis, e além do rico repertório de saber fazer que aflorou ao longo do diálogo – desde o forno à inglesa à produção de talhas para vinho – foi surgindo o panorama dos problemas que esta actividade enfrenta. Para além do carácter residual que, também economicamente, a produção artesanal ocupa dentro do sector de construção, eram sobretudo as crescentes barreiras de ordem burocrática que foram alvo de preocupação. A legislação vigente, com o louvável intuito de proteger a natureza e o ambiente, não toma em conta as diferenças de escalas entre produção industrial e artesanal. Assim dificulta ou impossibilita mesmo aspectos inerentes à actividade dos telheiros, desde a extracção do barro aos fogos e fumos dos fornos.

    Neste sentido, e apesar de toda a retórica sobre a valorização do artesanato e da produção local, as políticas adoptadas acabam, na prática, por favorecer a grande indústria, capaz de responder aos regulamentos, proibições e taxas impostas, enquanto torna o funcionamento dos telheiros cada vez mais difícil. Na investigação coordenada por Tânia Teixeira, os entraves legais foram identificados como um factor relevante no desaparecimento de um grande número de telheiros nos últimos dez anos. Na prática, os profissionais do ramo muitas vezes sentem que estão a trabalhar de forma meio clandestina, sempre com medo de uma queixa, multa ou ordem de fecho que ponha fim à actividade. E isto quando se trata não só de uma actividade residual, e por isso de pouco impacto ambiental, mas também de uma prática com valências ecológicas próprias que largamente o compensam, desde a redução do transporte pela produção local ao equilíbrio face aos recursos naturais, ou mesmo as próprias qualidades dos materiais produzidos em termos de energia incorporada, inércia térmica, reutilização e decomposição.

    Um caso bem ilustrativo da contradição política em causa é o dos vinhos de talha. Considerado em risco de extinção, está actualmente a ser promovido como património cultural imaterial. No entanto, este esforço não contempla políticas efectivas para conservar a técnica – incluindo telheiros, fornos e mestres – necessária para produzir as enormes vasilhas de barro em que este vinho é estagiado, e que podem chegar a ter mais de dois metros de altura. Já pouca gente as sabe fazer, e uma vez perdida será difícil recuperar esta arte. Os saberes tradicionais são complementares, e a perda de uns afecta os outros.

    Impõe-se, portanto, a valorização e protecção desta actividade, cuja perda poderá pôr em risco toda uma gama de produtos, saberes e práticas tradicionais que dela dependem, bem como as possibilidades de restauro do património com materiais adequados. Da parte dos representantes da administração presentes no encontro ouvimos sugestões prometedoras para contrariar a tendência actual. Esperamos que frutifiquem, e que, tanto a nível nacional quanto local, se vá fomentando a compreensão do valor patrimonial dos telheiros e valorizando o saber fazer das mãos do artesão.”

    Gerbert Verheij

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  • Encontro de Telheiros do Sul

    On: 10/31/2017
    In: Conversas, Exposições, Noticias, OCT
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    4 Novembro a partir das 10:00

    Ermida de S. Pedro da Ribeira e Telheiro da Encosta do Castelo

    Montemor-o-Novo

    Encontro-de-Telheiros-do-SulEste é um encontro dirigido a todos os interessados e profissionais ligados à construção e ao património, e pretende criar uma relação entre unidades de produção, clientes e entidades promotoras da conservação patrimonial no sentido de concertar estratégias para uma maior viabilidade destas actividades, essenciais à preservação de patrimónios.

    Durante o evento irão estar patentes mostras de documentação fotográfica e vídeo, materiais produzidos, documentação dos Telheiros e seus protagonistas.

    > Participação gratuita

    > Almoço sugeito a reserva para o os@oficinasdoconvento.com (10€)

     

     

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  • Conversas à Volta de Novos Paradigmas por Gerbert Verheij

    On: 10/31/2017
    In: Conversas, Noticias
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    No passado sábado 7 de Outubro teve lugar nova edição das já tradicionais “Conversas,” dedicada a “novos paradigmas.” Um memorável cozido à portuguesa em panelas de barro sobre lume dividia o programa numa manhã dedicada a três fazeres bem distintos e, pela tarde, a apresentação de três projectos de criação, programação e circulação. As conversas, com organização das Oficinas do Convento, foram moderadas pelo artista portuense Miguel Januário.

     

     

    _MG_7962De manhã, Alice Bernardo apresentou o seu projecto “Saber Fazer,” criado em 2011 e com sede em Matosinhos. Dedica-se à investigação, valorização, divulgação e também actualização de técnicas de produção artesanal e semi-industrial próprias do país. Impressionou pela forma como junta o rigor no registo e recuperação de técnicas antigas à insistência no conhecimento prática – o saber fazer – e, por esta via, na sua transmissão através de uma larga actividade pedagógica.

     

     

     

    Ferdinand Meier, engenheiro mecânico alemão com largas andanças por geografias tecnológicas mais _MG_7972alternativas (incluindo, claro está, as Oficinas do Convento), apresentou o presente e o futuro do desenho 3D e da fabricação digital. Levantou um pouco do véu sobre as matemáticas que estão por detrás das diferentes imagens digitais que já fazem parte do nosso dia-a-dia, tornou termos como “polygon mesh,” NURBS ou “Voxels” um pouco menos exóticos para o leigo e anotou desenvolvimentos recentes que prometem trazer mudanças grandes nas formas de que se reveste o nosso quotidiano.

     

     

    _MG_7980Um pouco a fazer a ponte entre estes dois mundo, um de um fazer tão antigo, outro tão recente e novo, o escultor Isaque Pinheiro apresentou o seu trabalho, onde há (entre outros) uma constante interferência entre os materiais tradicionais da escultura e imagens que comentam com humor e alguma malícia este estranho mundo contemporâneo nosso. Também para ele o fazer, os materiais e as técnicas são centrais, pontos de partida desde onde ver o mundo.

    No conjunto das três conversas ficou a sugestão da transversalidade do fazer, onde passado e futuro se cruzam e onde o antigo ou “tradicional” não é necessariamente antítese do presente e do porvir. É no fazer que se constroem os novos paradigmas?

     

    _MG_8036A tarde trouxe, primeiro, Natxo Checa, directo da Galeria Zé dos Bois, referência no Bairro Alto de Lisboa desde 1994. Falou da necessidade do fazer com os recursos que há, da importância das amizades e da informalidade, de como se pode manter alguma distância dos circuitos de dinheiro e poder que fazem o “sistema das artes,” e da importância de manter sempre o foco na criação.

     

     

     

    _MG_8046Também de Lisboa vieram Leonor Carpinteiro e Patrícia Ferreira para apresentar o projecto Condomínio, que desde 2014 ocupa temporariamente casas e espaços privados para os transformar, durante um dia, num espaço para partilhar, desfrutar e discutir um variado leque de projectos e actividades. Também aqui o encontro, partilha e informalidade foram apontados como essenciais para o ambiente de “estar em casa” que o projecto, que funciona numa base totalmente voluntária, mantém.

     

     

     

    _MG_8050Finalmente, Daniel Pires apresentou o funcionamento do icónico espaço portuense Maus Hábitos, explicando como esta empresa e a associação cultural associada, Saco Azul, tem conseguido, desde 2001, equilibrar sustentabilidade económica com uma programação artística muito relevante.

     

     

     

     

    No debate final falou-se do difícil equilíbrio entre sustentabilidade económica e fidelidade aos valores de partida, desafio que se coloca inevitavelmente a qualquer projecto cultural que não se rege pela lei do dinheiro. É uma questão que ficou em aberto, e que possivelmente só na tenacidade do fazer e continuar a fazer encontra uma resposta, sempre provisória. Ficou apontada a necessidade de continuar a debater esta questão aqui, no Convento de S. Francisco.

     

    Reportagem de Gerbert Verheij

    Reportagem incluida no jornal Folha de Montemor – Outubro 2017

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  • The New Art Fest 2017

    On: 10/17/2017
    In: Conversas, Exposições, Noticias
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    10 a 30 de Novembro – Lisboa

    TNAFDia 18 de Novembro o The New Art Fest Visita Montemor-o-Novo e almoça na Oficinas do Convento.

    Este será um momento de partilha entre os artistas convidados da organização do TNAF e os artistas que se queiram inscrever no almoço!

    The New Art Fest é um festival internacional anual de ‘new media’, e uma importante plataforma de criatividade artística e reflexão teórica associadas à tecnologia, à ciência e à sociedade. Nesta segunda edição, The New Art Fest conta com mais de 50 autores, e foca a sua atenção num grande tema — Lisboa Cidade Aberta.

    Lisboa Cidade Aberta é uma exposição de ideias, imagens, sons e interações sobre a transformação digital das cidades, estimulada pelo desenvolvimento e massificação das tecnologias de informação, representação e computação.

    Além das obras expostas, The New Art Fest dará especial atenção aos coletivos e plataformas de arte e tecnologia, e ainda aos impactos culturais dos novos turistas e residentes na capital.

    Para além da exposição no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, o The New Art Fest ocupará também os TOMI das ruas lisboetas, e marcará de novo presença na WebSummit.

    Produção da Ocupart | Arte em espaço improváveis.
    Direção artística: António Cerveira Pinto

    VEJA TODO O PROGRAMA

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  • Conversas à Volta da Luz – 20º encontro

    On: 10/02/2017
    In: Conversas
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    21 de Outubro 2017

    15:00 – Convento de S. Francisco

    CVL20 3Aqui me Incita o Desejo, Falar-vos de Fotografia

    Jorge Calado

    Falar de imaginação (imagens) é ouvir os sons através de fotografias escolhidas por Jorge Calado. Estar na sua vida, nos seus critérios e através disso no tempo-tesouro que ele abre para a nossa presença.

    Situações imprevisíveis da sua vida deram-lhe o prazer de colecionar o que ele gosta, sem modas e minuciosamente.

    Vai partilhar connosco essas opções e situar o porquê desse tempo relacionado com ele e com a fotografia.

    Abrem-se portas. Sentir e ver é preciso.

     

    O ciclo de conferencias Conversas à Volta da Luz conta com a curadoria de José M. Rodrigues

    Entrada livre

     

    Jorge Calado tem desenvolvido carreiras paralelas nas ciências e nas artes. Licenciou-se em engenharia química pelo Instituto Superior Técnico (IST), e doutorou-se em química pela Universidade de Oxford. Professor catedrático (emérito) de química-física no Instituto Superior Técnico, foi também professor catedrático-adjunto de engenharia química na Universidade de Cornell, NY. Publicou mais de 170 artigos em revistas internacionais sobre termodinâmica de líquidos moleculares e energética das apatites e gerou mais de 130 doutoramentos directos e indirectos. Foi o primeiro químico a receber o Prémio Ferreira da Silva, o mais alto galardão da Sociedade Portuguesa de Química. Membro de várias comissões científicas internacionais (no âmbito da IUPAC, Conselho da Europa, OTAN, INTAS e UE), foi também membro da Junta de Diretores e diretor executivo da Comissão Cultural Luso-Americana. É sócio efetivo da Academia de Ciências de Lisboa desde 1988. Muito interessado nas relações entre as ciências e as artes, regeu cursos como “A Arte da Ciência” e “Arte, Ciência, Técnica e Sociedade” em Cornell e no IST. Autor do capítulo sobre Ciência na história da “Fundação Calouste Gulbenkian: Cinquenta Anos 1956-2006″. É crítico cultural do semanário “Expresso” desde 1986, e contribuiu para o “Times Literary Supplement” (história e filosofia da ciência), “Opera News”, “Opera Now” e “Agenda XXI”. Concebeu e dirigiu os primeiros cursos de pós-graduação em Administração das Artes em Portugal (no Instituto Nacional de Administração), e fundou a IST Press. Em 1987, a pedido da Secretaria de Estado da Cultura, criou a Coleção Nacional de Fotografia. Comissariou mais de 25 exposições de fotografia em Portugal, França, Bélgica, Reino Unido e EUA. O seu livro mais recente é “Limites da Ciência”, publicado pela FMS em 2014.

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  • Conversas à Volta de Novos Paradigmas

    On: 09/26/2017
    In: Conversas, Noticias
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    7 de Outubro 2017

    Convento de S. Francisco

    Moderação por Miguel Januário

    conversas-novos-paradigmas 310.45    Abertura

    11.00    Educar para o saber-fazer, Alice Bernardo, investigadora e coordenadora do Saber Fazer
    11.40    Paradigmas em desenho 3D e fabricação digital, Ferdinad Meier, Engenheiro e coordenador da FAB Academy
    12.20    Fazer é Pensar, Isaque Pinheiro, Artista plástico,
    13.00    Almoço no Claustro
    15.00    Galeria Zé dos Bois: Com Deus, Sem Dono, Natxo Checa, Programador, curador, ZDB
    15.40    Abrir o Privado ao Público, Leonor Carpinteiro, co-fundadora do CONDOMÍNIO Festival de Cultura Local em Espaços Habitacionais
    17.20    Relato de Independência, Daniel Pires, Programador curador, Maus Hábitos,
    18.00    Conversas
    19.00    Visita à Oficina de Cerâmica e da Terra, Chá, vinho e fruta da época
    Projetos, ideias que expressam tenacidade frente a novos paradigmas construídos. Novos caminhos, resultados, experiências, na perspectiva de um presente para o futuro.
    Percorrer processos de resgate tecnológico e metodológico na produção e fabrico à medida das procuras.
    Programar no centro e na periferia, fazer circular criadores e obras, produção e consumo de objetos artísticos e criação de novas redes.
    Participação – 10€ (Conversas + almoço). Inscrições para oc@oficinasdoconvento.com até dia 5 de Outubro.

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    Educar para o saber-fazer 

    Alice Bernardo, investigadora e coordenadora do Saber Fazer

    O Saber Fazer é uma iniciativa dedicada à investigação, valorização e divulgação das técnicas de produção artesanal e semi-industrial em Portugal, bem como dos recursos locais a elas associados.
    Do linhal ao tear, dos jardins de tintureiras ao pigmento, dos rebanhos ao fio, é oferecido um contacto e perspectiva diretos e práticos de todos os ciclos da produção, sendo privilegiadas as variedades e os recursos genéticos locais e os processos produtivos sustentáveis e de pequena escala.
    Os trabalhos mais relevantes incluem o registo e documentação de técnicas, iniciativas de investigação-ação no tema das fibras têxteis e a edição de diversos manuais técnicos dedicados ao seu processamento.

    Alice Bernardo formou-se em Arquitetura e, ao acompanhar as obras de restauro de um edifício histórico em Guimarães (2005-2006), registou os trabalhos de estuque, pintura de fingidos e douramentos que foram executados por experientes artesãos locais, tendo sido este registo publicado em livro em 2010.
    Em 2011 criou o Saber Fazer como forma de continuar a investigar os modos de fazer, procurando captar e disseminar o conhecimento daqueles que ainda desenvolvem o seu trabalho com rigor técnico. Nesta altura iniciou a sua longa aprendizagem no tema das fibras têxteis aprendendo sobre o trabalho da Lã em Bucos. O resultado desta investigação deu forma a uma exposição permanente na Casa da Lã e a um livro sobre o trabalho deste grupo de mulheres, publicado em 2012.
    A partir de 2014 começou a desenvolver atividades e programas educativos apoiados na investigação contínua e na colaboração próxima com artesãos especializados.
    Em 2015 criou na Quinta de Serralves um programa de investigação-ação ao abrigo do qual implementou a produção e processamento de 3 fibras têxteis e plantas tintureiras in situ, criando diversas oficinas e atividades pedagógicas realizadas em simultâneo com os ciclos de produção.
    No mesmo ano começou a desenvolver um estudo sobre as Lãs Portuguesas, no âmbito do qual reuniu e processou amostras de lãs provenientes das raças de ovinos autóctones de forma a entender e divulgar o seu potencial têxtil. Participou também no projeto europeu Craftsmanship+ que propõe uma nova abordagem formativa às atividades artesanais e semi-industriais.
    Em 2017 iniciou uma colaboração com o Município de VN de Famalicão implementando um programa educativo ao abrigo do qual realizou um curso de longa duração dedicado à produção e processamento de Linho e introduziu a produção de Linho e Seda, bem como as práticas da Tecelagem e da Tinturaria em escolas do primeiro ciclo.
    O Saber Fazer está sediado em Matosinhos, onde também são organizadas oficinas e onde se comercializam matérias-primas, ferramentas específicas e material pedagógico associado aos temas investigados.

    www.saberfazer.org

     

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    Paradigmas em desenho 3D e fabricação digital

    Ferdinand Meier, engenheiro e coordenador da FAB Academy

     

    Engenheiro mecânico de Munique, nos últimos 10 anos trabalhou tanto na industria de construção de motores, como no mundo académico, artístico, arquitectónico e “maker”. O que junta todo um interesse interdisciplinar em desenho 3d e fabricação. O mundo do CAD e da prototipagem rápida está constantemente em progresso e esta conversa propõe dar uma visão geral sobre as ferramentas atuais e futuras, tanto de projetos técnicos como artísticos, industriais e DIY.
    Em relação ao desenho, Ferdinand vai conversar sobre métodos tradicionais como “polygon mesh” e “NURBS” e dar uma olhada a desenvolvimentos mais novos como “Voxels”, e “f-reps”.
    Em relação à fabricação vai apresentar projetos como “impressão 3D com barro”, “DNA-Origami”, “Digital Micro-Assembly” e impressão 3d de uma ponte.

    Ferdinand Meier tem 34 anos e é mestre em Engenharia Mecânica pela FH-Munich (Munich University of Applied Sciences 2005).
    Profissionalmente, colaborou nas empresas: MTU Aero Engines, indústria aeronáutica; na INNOMED, construção e fabricação de tecnologia médica; na KD-Ingenieurtechnik, desenho de peças de alta precisão, e na IGEL AG, desenho de componentes para motores BMW. Em Barcelona trabalhou em 2009 utilizando o software Autodesk REVIT e na Galiza, foi artista residente na Alg-a (artistas livres da Galiza).
    Em 2011 concluiu mestrado no MIT-Portugal em “sistemas de energias renováveis”. Durante os quatro anos em Lisboa, ele colaborou no FabLab EDP, foi membro ativo do Altlab (Hackerspace de Lisboa) e frequentou o curso de fabricação digital FabAcademy, organizado pelo MIT-CBA. Em 2015 e 2016 trabalhou no “IAAC|Fab Lab Barcelona” como um dos instrutores do FabAcademy. Depois de uma breve residência no Farmlab-Algarve ele voltou para Alemanha onde trabalha atualmente como consultor de engenharia.

    https://feadi.github.io/

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    Fazer é Pensar

    Isaque Pinheiro, Artista plástico

    A obra de Isaque caracteriza-se pela relação íntima entre o fazer e o pensar abraçando grande parte da história da arte desde do conceito de arte greco-romana, passando pela contemplação estética do Iluminismo, até aos suportes e envolvimentos reconhecidos na arte contemporânea.

    Num texto de sala sobre o trabalho do artista, o crítico brasileiro Fernando Cocchiarale escreveu que “(…)É impossível , portanto, pelo menos por ora, compreendermos a produção de Isaque sem o fazer e os objetos que dele resultam, pois seu compromisso com o mundo (bem como de parte significativa da produção contemporânea) se dá exatamente pela atualização desses procedimentos remanescentes de outros momentos históricos, aos  temas e às narrativas da contemporaneidade. Não se trata pois de um  mero regresso ao  passado, mas da sobrevida de procedimentos que nunca desapareceram e foram, até a apropriação duchampiana (readymade) e a desmaterialização conceitual, únicos e essenciais para a produção artística.(…)”

    Isaque Pinheiro nasceu em Lisboa, em 1972. Vive e trabalha no Porto. Para além de exposições individuais nas galerias, Caroline Pagès em Lisboa, Mário Sequeira em Braga, Presença no Porto, Esther Montoriol em Barcelona, Laura Marsiaj no Rio de Janeiro, Moura Marsiaj em São Paulo e Ybakatu em Curitiba, destacam-se também participações em exposições coletivas no Stenersen Museum em Oslo, Centro Galego de Arte contemporânea em Compostela e Caixa Cultural do Rio de Janeiro.
    Está representado na Coleção de Arte Fundação EDP (MAAT), Fundação PLMJ, Museu da Bienal de Cerveira, Fundação Caixanova em Espanha, Centro Galego de Arte Contemporânea em Compostela, e Fundação Edson Queiroz, Fortaleza, Brasil, entre outras.

    http://www.isaquepinheiro.com/

     

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    Galeria Zé dos Bois – Com Deus, Sem Dono

    Natxo Checa – Programador, curador Galeria ZDB

    A Galeria Zé dos Bois (ZDB) é uma Associação cultural sem fins lucrativos, criada por iniciativa civil em 1994. Um centro cultural de 2500 m2 localizado no centro do Bairro Alto, no antigo Palácio Baronesa de Almeida.
    Enquanto estrutura de criação, produção e promoção para a arte contemporânea, a ZDB instiga a pesquisa e investigação nas artes visuais e performativas e também na imagem e na música.
    Anualmente, a ZDB apresenta exposições que produz, e acolhe/co-produz mais de 150 outros projetos artísticos, incluído residências, ações educativas, apresentações de teatro, dança e música, numa programação eclética.
    Movida pelo desejo de intensificar com os criadores práticas de criação e produção, a ZDB promove residências internacionais e nacionais e estabelece relações profissionais a longo prazo com o objectivo de produzir projetos únicos.

    http://www.zedosbois.org/

     

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    Abrir o privado ao público

    Leonor Carpinteiro e Patricia Ferreira, co-fundadoras do CONDOMÍNIO – Festival de Cultura Local em Espaços Habitacionais

    O CONDOMÍNIO abre portas para a ocupação temporária de casas e espaços privados, com o intuito de divulgar o panorama artístico e cultural da cidade de Lisboa. Num ambiente descontraído, de convívio e de intervenção independente, são partilhados e discutidos vários projectos, ao mesmo tempo que se vai desvendando o património arquitectónico da cidade. A par de uma programação multidisciplinar, o CONDOMÍNIO encoraja a adopção de um modo mais próximo e saudável de viver a cidade.

     

    https://condominiofestival.wordpress.com

    www.facebook.com/condominio.festival

     

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    O Relato da Independência

    Daniel Pires, programador, curador Maus Hábitos

    O nome Maus hábitos, surge associada à fundação em 2001 de um Espaço de intervenção cultural independente e intermédio que se situa no coração do Porto, no 4 º piso da garagem de estacionamento modernista frente ao Coliseu do Porto.

    Nasce única e simplesmente da associação e colaboração de artistas e gente próxima da criação e do mundo das artes.

    Ao mesmo tempo que nasce o MH surge uma associação que tem sido parceira deste desde os primeiros dias, a associação cultural Saco Azul, que quanto ao nome não precisa de muitas explicações, e esta serve de apoio institucional para se candidatar a bolsas e fundos de apoio à criação e à programação.

    O Maus Hábitos é uma empresa e caracteriza-se especialmente pelo seu carácter interdisciplinar dado pela multiplicidade de espaços de lazer e fruição e espaços de consumo e pela sua capacidade de arriscar, despõe de um restaurante pizzaria, um bar que serve os concertos e as noites de festa, assim como uma sala de concertos. Tem também um espaço de residências e uma sala de exposições que faz apresentações de novos projectos.

    A diferenciação deste espaço é feita pela qualidade da programação que se apresenta, sendo esta direcionada para múltiplos públicos que na sua heterogeneidade fazem um universo de pessoas que se interessam por atividades artísticas, criativas e de lazer.

    Esta mistura é muito criticada por alguns puristas do mundo da arte mas constitui a nossa força e a nossa energia, é nesta panóplia distintiva de indivíduos que conseguimos encontrar o fio condutor da nossa programação, e a nossa singularidade.

     

    Daniel Pires foi Fotógrafo de moda e professor durante 12 anos. Licenciado em Fotografia pela Escola Superior  Artística do Porto, e Mestrado em Design da Imagem pela FBAUP –

    EM 2001 dá origem ao  Espaço de intervenção cultural Maus Hábitos.

    Realiza com alguma regularidade conferências, desenvolve o projecto  Pinoteca – construção de pin´s e foi membro durante 3 anos da direcção da Agência ADDICT.

    Em 2012 participa durante 6 meses em Guimarães Capital da Cultura 2012 – “ON OFF – Laboratório de Criatividade Urbana” e em 2014 foi eleito director do Coliseu do Porto pelos associados independentes.

    http://www.maushabitos.com/

     

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    Moderação:

    Miguel Januário

    Miguel Januário nasceu no Porto em 1981, é licenciado em Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Trabalhou como freelancer em design e video no espaço cultural Maus Hábitos, no Porto, sendo membro da Associação Saco Azul, dinamizadora de diversas actividades artísticas, e colaborador da Riot Films. Desenvolve intervenções no espaço público desde 1998 e em 2005, no âmbito académico, criou o projecto de intervenção ‘±MAISMENOS±, que se tornou uma referência no panorama nacional e internacional da street art. Em 2009 desloca-se para Lisboa e de 2011 a 2013 foi director artístico na Ivity Brand Corp. Em 2014 estabelece o seu estúdio no Porto e passou a dedicar-se quase exclusivamente ao ‘±’, levando este projecto a outros países, marcando o seu lugar na cena artística internacional. Actualmente frequenta o doutoramento em Design na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. O seu trabalho artístico já teve exposto em várias galerias nacionais e internacionais, assim como em diversos festivais de arte, destacando-se a galeria Vera Cortes em Lisboa, a Caixa Cultural no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, a galeria Wunderkammern em Roma, o Museu de Arte Contemporânea de Roma, o Nuart Festival, o Walk&Talk e o Festival Iminente. Tem diversas obras na colecção António Cachola do Museu de Arte Contemporânea de Elvas e é representado pela Galeria Underdogs de Lisboa. Participou em duas TedTalks, no Porto e em Luanda.

     

     

     

     

     

     

     

     

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  • Novas Ferramentas para trabalhar em rede

    On: 06/12/2017
    In: Cidade Pre0cupada, Conversas, Projectos
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    Cidade PreOcupada 2017

    Novas Ferramentas para trabalhar em rede

    formação | biblioteca municipal e casa das Associações | 14 Junho e 4 julho

    CARTAZ - ENCONTRO FINAL

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