Nuno Rebelo + Constanza Brncic + Albert Cirera

3 março 2018 – 22:00

Convento S. Francisco

cartaz-trio-1Por um lado, Constanza Brnèiè e Nuno Rebelo têm colaborado frequentemente, desde logo no duo de improvisação “Si se diera un cuerpo al bullício”, com o qual têm atuado diversas vezes na Catalunha. Por outro lado, também não é a primeira vez que Albert Cirera e Nuno Rebelo coincidem num palco, integrando diversas formações na cena da música improvisada de Barcelona e recentemente em Lisboa, num memorável concerto em duo no bar Irreal. Mas será a primeira vez que os três se apresentam em trio.

Três corpos, um dos quais se centra em si mesmo para se expressar através do movimento e das suas relações com o espaço e com a música; e outros dois corpos, empenhados na construção de universos musicais através dos instrumentos que manipilam – o sax e a guitarra – relacionando-se entre si e igualmente com o corpo que dança.

Contribuição para os músicos – 3€

Constanza Brnèiè

Coreógrafa e bailarina, nasceu em Buenos Aires mas vive em Barcelona desde a infância. Licenciada em Filosofia, fez o mestrado em Pensamento Contemporâneo e Tradição Clássica pela Universidade de Barcelona, onde atualmente está a fazer o doutoramento em Filosofia Contemporânea.

Em 2001 funda a Associação Cultural La Sospechosa, com a qual desenvolve diversos projetos com a particularidade de pôr o trabalho cénico em contextos diversos, tais como hospitais, bairros, escolas, centros cívicos, prisões.

Em 2002, Constanza Brnèiè recebe a bolsa KRTU da Generalitat da Catalunha para criatividade Jovem e em 2003 o subsídio para artistas visuais do Departamento de Cultura da Generalitat da Catalunha pelos projetos Pa Ck e Derribos, investigando possíveis relações lúdicas entre meios tecnológicos e o corpo. Ambos projetos estiveram em residência na Sala Metrònom de Barcelona e no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona, onde também foram abertos ao público.

Em 2003 é vencedora da Mostra Internacional de videodança, com Blank-Emotive.

Desde 2009 trabalha como coreógrafa e diretora artística dos projetos comunitários da Escola de Música e Centro de Artes de Hospitalet de Llobregat (EMMCA), bem como do projeto de criação cénica intergeracional PI(È)CE, produzido pelo Teatro Tantarantana e cuja penúltima criação, Li diuen mar, foi estreada no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona, integrada na programação do Festival Internacional Grec 2016.

Durante a sua já extensa carreira criou numerosas peças de dança em colaboração com os músicos Gabriel Brnèiè, Agustí Fernàndez, Joan Saura, Ferran Fages e Nuno Rebelo, com os dramaturgos Albert Tola e Victória Spunzberg e com a coreógrafa Carme Torrent, entre outros.

Como intérprete, dançou entre 1996 e 2009 na Companhia Raravis (Andrés Corchero e Rosa Muñoz) e de 2002 a 2005 com a Companhia Malpelo (Maria Muñoz y Pep Ramis). Foi Intérprete solista na ópera A Flauta Mágica, de Mozart, coreografada por Min Tanaka no Festival de Salzburgo, 2008.

Desde 1996 forma parte ativa da cena de música e dança improvisada em Barcelona, tendo formado parte do coletivo IBA e atuando regularmente com diversas formações, entre as quais se destacam os duos com o pianista Agustí Fernandez, com o guitarrista Ferran Fages e com Nuno Rebelo

Atualmente é também professora de Improvisação e de Coreografia no Conservatorio Superior de Dança de Barcelona (CSD) e professora convidada na Escola Superior de Arte Dramática de Barcelona (ESAD).

 

Albert Cirera

Nasceu em Igualada, Espanha, em 1980. Começou os estudos de música e violino aos 6 anos. Mais tarde escolhe o saxofone como instrumento principal, pela mão de Alfons Carrascossa. Em 2006 gradua-se na Escola Superior de Música da Catalunha, onde estudou com Eladio Reinon, Xavi Figarola, Dani Perez e Agustí Fernandez. Estudou igualmente no Royal Conservatoirum de Haya (Holanda), com John Ruocco. Também recebeu os conselhos de Tony Malaby, Ellery Eskelin, Bill McHenry e Perico Sambeat.

Depois de 10 anos a residir em Barcelona, desde Outubro de 2013 vive entre Barcelona e Lisboa onde toca regularmente com Ulrich Mitzlaff, Carlos Zingaro, Gabriel Ferrandini, Heranin Faustino ou Abdul Moimême. Tem tocado com Agustí Fernandez, Joe Morris, Dani Dominguez, Jaume Llombart, Hugo Antunes, Massa Kamaguchi, Bart Maris, David Mengual, etc, mas sobretudo com Ramon Prats com quem formam o já mítico duo Duot. Além de liderar os seus próprios projetos (CIREROT, A.C. & Tres Tambors, A.C. Lisbon Trio), integra também diferentes projetos como Memoria Uno, A. Fernandez Liquid Trio / Quintet, AAA, Octopussy Cats e Fail Better.

Com mas de 30 gravações nos últimos 5 anos, Albert Cirera é um dos saxofonistas mais activos e versáteis da península Ibérica, solicitado tanto na cena de vanguarda bem como na cena mainstream.

 

Nuno Rebelo

Nuno Rebelo nasceu em Torres Vedras, em 1960. Formado em Arquitetura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, desde muito cedo se dedicou exclusivamente à música, sendo auto-didata nesta área. Durante a década de 80 destacou-se na música Pop, integrando os “Streetkids” (1980-82) e dirigindo os “Mler ife Dada” (1983-89). De 1990 a 92 dirigiu o grupo instrumental “Plopoplot Pot” e, entre 93 e 95, a “Poliploc Orkeshtra”, um ensemble de não-músicos constituído por alunos do Chapitô, que acompanhava com música ao vivo os filmes mudos “Nosferatu”, de Murnau, e Douro, Faina Fluvial, de Manoel de Oliveira.

No cinema, criou música para filmes de José Nascimento, Edgar Pêra, Ricardo Rezende, Jorge António, Jorge Paixão da Costa, etc.

No teatro, criou música para encenações de José Wallenstein, João Garcia Miguel, Paulo Filipe Monteiro, António Feio e Águeda Sena.

Na área da dança, criou música para coreografias de Mark Tompkins, Vera Mantero, Constanza Brncic, João Fiadeiro, Paulo Ribeiro, Aldara Bizarro, Cosmin Manolescu, Malpelo, entre outros. Atuou ao vivo em várias cidades europeias com os bailarinos Mark Tompkins, Vera Mantero, Steve Paxton, Lisa Nelson, Julyen Hamilton, David Zambrano, Constanza Brncic, Frans Poelstra, Boris Charmatz, João Fiadeiro, Nuno Bizarro, Malpelo (Maria Muñoz e Pep Ramis), Mathilde Monier, Christian Rizzo, Patricia Kuypers. Participou no projeto Tuning Scores de Lisa Nelson (Centro Pompidou, Paris, 2003) e no projecto site-specific En Chantier, de Mark Tompkins, que se desenrolou em Paris entre 2001 e 2004 durante a obra de renovação do Théatre de la Cite Internationale, culminando na inauguração do mesmo. Em 2008 compôs a música para o musical “Lulu, une operètte de circonstance”, de Mark Tompkins, para a qual escreveu arranjos para orquestra sinfónica.

Foi o autor de Pangea (o hino da Expo 98), da música e sonoplastia do espetáculo Oceanos e Utopias (diariamente no pavilhão da Utopia, na Expo 98), bem como da música para o espetáculo de fogo de artifício que marcou a abertura de Porto 2001 Capital Europeia da Cultura. Foi o autor do jingle publicitário de L94  Lisboa Capital Europeia da Cultura 1994 (que ganhou o prémio de melhor música para publicidade nesse ano) e do jingle publicitário do Campeonato Europeu de Futebol Euro 2004.

Em concertos de música improvisada, (como guitarrista), tocou em diversos países com músicos como Agusti Fernandez, Agusti Martinez, Albert Cirera, Alexander Frangenheim, Alfredo Costa Monteiro, Bart Maris, Damo Suzuki, DJ OLive, Eric M, Ferran Fages, Francesco Cusa, Fried Dahn, Gianni Gebbia, Graham Haynes, Gregg Moore, Hilmar Jensson, Hiroshi Kobayashi, Jakob Draminsky Hojmark, Jean-Marc Montera, Joan Saura, John Bisset, Kato Hideki, Le Quan Ninh, Liba Vilavecchia, Michael Moore, Michael Vatcher, Paolo Angeli, Peter Kowald, Phillipe Aubry, Shelley Hirsch, Tom Chant, Matt Davis, Victor Nubla, Vincent Peter, Xavier Maristany, bem como com a maioria dos improvisadores portugueses, donde se destacam as suas colaborações frequentes com o baterista Marco Franco, com o violoncelista Ulrich Mitzlaff e com o violinista Carlos Zingaro. Participou numa apresentação de Cobra, de John Zorn, dirigida pelo próprio na Casa da Música (Porto, 2008), e na ?European Improvisers Orchestra dirigida por Evan Parker (Belfast, 2012), bem como em vários concertos da Variable Geometry Orchestra, dirigida por Ernesto Rodrigues.

Em 1998 apresentou o espetáculo As guitarras portuguesas mutantes!!! integrado no festival Mergulho no Futuro da Expo 98. No ambito do Ponti / Porto 2001, apresentou no Teatro Nacional S. João o espetáculo Compact Disconcert, um concerto / retrospectiva das suas composições para teatro e dança. Em 2012 apresentou Cage Walk no Teatro Maria Matos (Lisboa), um tributo ao compositor americano John Cage, por ocasião do centenário do seu nascimento. Também no Teatro Maria Matos e no GNRation (Braga), e por ocasião do centenário do nascimento de Sun Ra, apresentou em 2015 o concerto “We Travel the Spaceways”, com alunos do Conservatório Gulbenkian de Braga.

Tem lecionado workshops sobre diversos tópicos: técnicas experimentais para guitarra elétrica (Setúbal, Torres Vedras, Almada), improvisação livre  conjuntamente com Carlos Zíngaro – (Oeiras, Almada), improvisação estruturada (Guarda, Portimão, Porto, Mindelo, Maputo), esculturas sonoras (Montemor-o-novo), música com a comunidade (Guarda, Porto). Conjuntamente com Mark Tompkins tem leccionado o workshop audible movement, visible sound que foca a área de contaminação performática entre dança e música (em Estrasburgo, Lisboa, Bucareste, Viena, Toulouse, Lubljana, Mulhouse). Com a coreógrafa Emmanuelle Huyhn leccionou em Paris um workshop de performance com movimento e feedbacks de microfone.

Tem orientado o workshop Sonosculturas – esculturas sonoras – nas Oficinas do Convento em Montemor-o-novo (2009, 2012, 2017). Como criador nesta área Nuno Rebelo apresentou as suas esculturas sonoras em diversos locais de Portugal, no festival 4X4 em Tromso (Noruega) e na Bienal de Land-Art do I-Park (Connecticut, U.S.A).

Entre 2004 e 2006 fez parte da direção da associação Granular (www.granular.fm), associação que se tem dedicado a desenvolver e potenciar as músicas de carácter experimental em Portugal e o cruzamento destas com outras formas de expressão artística.

Entre 2013 e 2015 lecionou a disciplina de Improvisação Contemporânea na Escola Superior de Música Taller de Musics, em Barcelona.

Sentindo-se mais atraído pela performance em palco do que pela gravação de CDs, aqui se mencionam alguns dos poucos que têm sido editados: Sagração do mês de Maio (EMI, 1989); “M2″ (Ananana 1996); Azul Esmeralda (Ananana 1998); On the edge (Raka, 2002); ZDB (Raka, 2002); Compact Disconcert (TNSJ, 2002). Em 2013 foi editado o CD Removed from the flow of time (guitar solos, 1992-2012) pela editora Creative Sources.

 

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