Silvestre

Passeio Silvestre

25 de Junho 2022 | 10h30

Casa Branca

 

silvestre-INSTNa palestra “Walking”,  Thoreau descreve o desafio que os pântanos apresentam para a tarefa topográfica, apresentando-os como territórios exemplarmente “selvagens”, resistindo constantemente à dominação humana. No clima mediterrânico, pelo menos em certas regiões, esse lugar é dos matos impenetráveis geralmente dominados pela amora silvestre, a silva. Todo o território parece seu, ameaçando constantemente voltar a tomá-lo das mãos dos humanos – o esforço posto em eliminá-la parece dependente de uma manutenção constante, da presença dos tratores e das roçadoras. Tudo isto vai ser um silvado de novo, basta que nos ausentemos. Nela encontram refúgio todos aqueles animais sem lugar na gestão humana do território, habitando as suas periferias e
alimentando-se dos seus excedentes. Os roedores e os seus predadores, os javalis e os saca-rabos, uma série de animais não propriamente selvagens, nem certamente domésticos. É pelos espinhos, pelas unhas, pelos dentes, que nos aproximamos disto.

Silvestre trata de recolher vestígios, observá-los atentamente, reproduzir alguns deles, digitalizando-os, ampliando-os para escalas improváveis, imprimindo-os em cerâmica e estudando as propriedades sonoras destas novas configurações, habitando-as com frequências e paisagens sonoras derivadas dos lugares onde foram recolhidos.

A Serra de Monfurado contém uma faixa de minerais explorada desde tempos remotos. O último período produtivo durou desde finais do século XIX até meados do século passado. Passagens escavadas para que passassem as linhas férreas, edifícios de apoio à exploração, escombreiras, foram em grande parte tomadas pelos matos, sendo em alguns casos agora impenetráveis para humanos.

Silvestre é uma pesquisa em curso, na Preocupada será uma caminhada, uma conversa e uma mostra de processo.

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