Apresentação do projecto Éden | 17 e 18 de Março

Éden (o filme desta terra)

Para repensar a origem da humanidade, tornou-se necessário abandonar todas as representações tradicionais que a investigação do sentido de “Éden” nos foi revelando. Uma conclusão principal impôs-se: se retirarmos o cenário do pomar (exemplar do modo de subsistência no antigo Israel) e nos abstrairmos da sua disposição (árvore do conhecimento ao centro donde irradiam quatro rios cardinais: prova de uma sedentarização agrícola avançada), que nos resta senão o facto nu da expulsão? Dois corpos que se expulsam? Neste sentido, «Deus» designaria, não o terceiro termo (a testemunha ocular omnipresente, o ponto de fuga da humanidade), mas o próprio facto — a ordem ou o imperativo — da expulsão. Daí a razão pela qual o cenário do nosso projecto se resumir a dois compartimentos — ocupados, respectivamente, por uma mulher e um homem, e separados por um tabique: lugar de encontro entre os corpos.

Na sequência do trabalho anterior — intitulado Scena e concebido entre a palavra de Luigi Pirandello e o gesto de Piero della Francesca (na Madonna del Parto) —, também o presente projecto articula a palavra e a imagem: dois excertos de Hölderlin (que nos falam do habitar poético desta terra) e uma visão sobre um habitáculo partilhado. A estes elementos, Éden acrescenta a palavra cantada — extraída da oratória de Joseph Haydn, justamente intitulada A Criação.

Além do filme (em suporte de película de 16mm), será editado um livro-catálogo pelas Edições Assírio & Alvim.

Tomás Maia e André Maranha

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