Manual de Iniciação à Cerâmica, de Ana João Almeida – Critica de Gerbert Verheij

Manual de Iniciação à Cerâmica, de Ana João Almeida

20232640_1617546381657349_5515244851896610006_o“Em Julho passado foi lançado em Montemor-o-Novo o Manual de Iniciação à Cerâmica, da autoria de Ana João Almeida. É um objecto singular, fruto de uma investigação pessoal de uma década, sistematizada nos últimos anos pela autora nas Oficinas da Cerâmica e da Terra (Oficinas do Convento), onde entre outros tem dado um Curso de Cerâmica. O livro traz a marca deste percurso: sente-se que a prática validou os conhecimentos e orientou a sua organização numa linguagem directa, segura e acessível. Ler o manual é como ter uma instrutora paciente e amiga ao lado que explica tudo com entusiasmo e conhecimento de causa. Há uma dimensão pessoal – na escrita informal, e especialmente nas fotos da autora, em que talvez mais se sente o amor pelo ofício e a experiência vivida e acumulada – que foge das pautas de objectividade comuns neste tipo de literatura.

Parte da actualidade do livro está no constante reenvio da antiquíssima arte da cerâmica para a natureza e para os recursos que estão à mão. Começando, desde logo, com a imensa diversidade de argilas naturais, cada uma com a sua cor e características, que o leitor-aprendiz é incentivado a encontrar onde está. O manual segue uma espécie de ética no trabalho do barro que alia a fidelidade às tradições e aos recursos naturais à segurança e inovação da investigação. Neste aspecto é um fruto característico do espírito que orienta as Oficinas da Cerâmica e da Terra. A versatilidade e vocação internacional deste centro manifestaram-se de resto no lançamento do livro, que foi acompanhado por uma exposição da italiana Cristina Gallizioli, uma mostra documental de um curso de construção com blocos de terra comprimida no âmbito do projecto internacional LearnBI0N e um concerto a solo da nova-iorquina Liz Hogg.

Enquanto ao livro, é uma edição de autor de pequena tiragem, mas espero que mesmo assim encontre o seu caminho para um público maior, já que a principal referência portuguesa (Arlindo Fagundes, Manual Prático de Introdução à Cerâmica, 1997) está esgotado há anos. Neste aspecto, se a orientação quase exclusiva para a prática e a atitude de mãos à obra tem as suas virtudes, dando ao livro o seu tom singular, também traz limitações, que se fazem sentir por exemplo na falta de referências para lá do mundo da oficina. Exemplos de objectos e obras de outros criadores, geografias ou períodos históricos, bem como indicações para uma bibliografia especializada, teriam enriquecido o livro. É uma limitação talvez intencional no que é assumidamente um manual técnico, mas que faz com que ainda não seja a nova obra de referência em Portugal. Para isso existe, contudo, uma óptima base, e acabo com votos de que haja lugar para uma segunda edição mais completa e de maior circulação”

Gerbert Verheij

Jornal Folha de Montemor, Setembro 2017

 

Para comprar, contactar telheiro@oficinasdoconvento.com.

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