Formas e Técnicas na Transição

O Projecto Formas e Técnicas na Transição, que foi apoiado pela Direção-Geral das Artes e pelo Município de Montemor-o-Novo, aconteceu no biénio 2011/2012 e veio dar continuidade à base conceptual e organizacional do plano ‘Da Terra e do Ar’, apoiado pela Direcção-Geral das Artes no biénio 2009-2010. Mantém-se o objectivo de colmatar necessidades locais e nacionais, promovendo a criação artística (Residências Artísticas e Oficinas Experimentais), a reflexão (Conferências e Seminários), a formação (Oficinas Experimentais) e a disseminação (Exposições e Oficinas Abertas). O desenvolvimento de actividades a partir destes eixos revelou-se frutífero, assim como a metodologia adoptada. Este formato permite efectivamente a formação de jovens programadores e criadores e, simultaneamente, a divulgação dos saberes de artistas experientes, através dos vários momentos de reflexão, aprendizagem, produção e partilha. O plano para este biénio centrou-se numa nova égide programática: ‘Formas e Técnicas na Transição’, cujo foco se centrou na simbiose entre a tradição e a contemporaneidade.

 

RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS

Julho 2011 – Design de Equipamento

Esta Residência foi desenvolvida pela artista portuguesa Mafalda Fernandes e teve como objectivo o registo de linhas, manchas, texturas, formas e cores de Montemor-o-Novo, que estruturassem o desenvolvimento de padrões de azulejos, reproduzidos com técnicas artesanais no Telheiro da Encosta do Castelo. A exposição realizou-se no Convento de S. Francisco no dia 9 de Agosto.

Julho 2011 – Escultura

Esta Residência foi desenvolvida pela artista brasileira Inês Raphaelian, e teve como objectivo o desenvolvimento de placas de xisto – objectos do reportório iconográfico do património arqueológico de Montemor-o-Novo – com imagens geométricas (circuitos impressos de “chips”), levando a um novo imaginário, a um dis- curso enigmático e a objectos intemporais. A exposição foi realizada no Convento de S. Francisco e no Centro Interpretativo do Castelo de Montemor-o-Novo no dia 9 de Agosto.

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Novembro/Dezembro 2011, Janeiro 2012 e Verão 2012 – Espaço Público

Esta Residência foi desenvolvida, pela Arquitecta paisagista portuguesa Verónica Conte. A proposta foi a de trabalhar directamente com a comunidade da aldeia de S. Cristóvão, no levantamento de elementos simbólicos, perscrutadores da identidade dos moradores e da aldeia, que pudessem ser pintados nas fachadas das casas.

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Junho 2012 – Espaço Público

Esta Residência foi desenvolvida, pelo artista japonês Onishi Yasuaki. Os seus trabalhos com cola derretida evocam a leveza, o «dentro» e o »fora» de um objecto, a evocação suspensa de um volume. Em Montemor-o-Novo alojou o seu trabalho nos claustros do Convento, utilizando cola derretida para instalar simbioticamente linhas suspensas, evocando teias, no cenário antigo e desgastado dos claustros. A exposição ficou patente no Convento até que a própria instalação se desintegrou naturalmente, em meados de Novembro de 2012.

Novembro 2012 – Espaço Público

Susken Rosenthal, da Associação Kunstpflug (Alemanha), tem desenvolvido o seu trabalho em torno da intervenção na paisagem. Foi convidada pela Associação para criar uma instalação num espaço da cidade. Susken escolheu o átrio da Igreja de S. Francisco, na altura – e ainda hoje – com obras de reabilitação a decorrer, para integrar entre os andaimes octaedros de grande dimensão, forrados a tela com um padrão de azulejo português.

 

OFICINAS EXPERIMENTAIS DE SONOSCULTURA

Em Abril de 2011 realizou-se uma Oficina que não estava programada inicialmente: Oficina Experimental de “Ruído Táctil”. Esta oficina surgiu por sugestão do formador, André Castro. Decorreu ao longo de uma semana, com cerca de 10 partipantes, e consistiu na construção de sintetizadores low-tech, reactivos ao toque. Revelou-se um importante contributo para a linha de trabalho do Colectivo Estúdio 3, tendo ainda mobilizado um conjunto de interessados para acções posteri- ores.

Em Maio de 2011, realizou-se a Oficina “WOW”, com Ricardo Guerreiro e Emídio Buchinho. Esta Oficina, com a duração de uma semana e que culminou num momento expositivo em formato de concerto, não teve participantes, pelo que assumiu o formato de Residência Artística, ao longo da qual os dois artistas exploraram o wow:

O termo Wow faz referência a um fenómeno característico dos aparelhos electromag- néticos. Trata-se de uma pequena variação na altura do som reproduzido (um tipo de flutter mais lento), provocada por uma alteração da velocidade de leitura ou gravação.

Para além deste aspecto, na linguagem comum, esta expressão exprime um certo grau de deslumbramento ou admiração perante algo, alguém ou determinadas situ- ações.

Oficina Experimental de Sonoscultura com Nuno Rebelo

Esta acção decorreu em Fevereiro de 2012 e consistiu numa oficina de 5 dias, que contou com 7 participantes, e num momento expositivo final, que decorreu na forma de instalações e performances, no Convento de S. Francisco. Pretendeu explorar a zona comum entre artes sonoras e artes visuais, onde o objecto plástico se torna ele próprio música – ou onde a música se materializa no próprio objecto plástico que a produz. Um território com amplas possibilidades de investigaçäo, que pode integrar o vídeo, a performance, o desenho, a instalaçäo, a escultura, a gravação sonora, a música gerada em directo por algum sistema cinético, electrico, electrónico, atmosférico, etc.

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Oficina Experimental de Sonoscultura com Benoit Maubrey

Em Novembro de 2012, Benoit Maubrey, da Associação Kunspflug sediada na Alemanha, foi o artista convidado para desenvolver a última Oficina Experimental de Sonoscultura, em formato de Residência Artística / Formação. Ao longo de cerca de 10 dias, o artista desenvolveu o trabalho a apresentar, fundindo algumas das suas pré-existentes linhas de trabalho (como as «Audio Ballerinas») com uma intervenção pensada e adaptada ao contexto da cidade dos próprios espaços de apresentação. No dia 23 decorreu um seminário, em que o artista apresentou o seu trabalho – conceptual e tecnicamente – ao público. No mesmo dia, o Convento de S. Francisco acolheu a sua performance «Electronic Guy», em que os movimentos do artista são amplificados sonoramente por um casaco de cabedal artilhado com dispositivos electrónicos.

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REFLEXÃO

CONVERSAS À VOLTA DA LUZ

Estes encontros tiveram início em 2009, com o Programa ‘Da Terra e o Ar’, sob a curadoria de José Manuel Rodrigues. Cumpriram um importante papel de mobilização de fotógrafos e outros profissionais e apaixonados da área, acabando assim por contribuir para a constituição de uma rede de interessados pela temática da Fotografia. Estes encontros marcaram positivamente a programação da Associação e o seu papel inovador e pedagogo na programação geral da cidade.

Ao longo deste biénio decorreram mais 7 encontros de “Conversas à Volta da Luz”, um ciclo de seminários em torno da Fotografia com curadoria de José Manuel Rodrigues.

23 de Abril de 2011: Luísa Ferreira, José Ceia Leitão e Pedro Gil

23 Julho de 2011: Maria Judite Santos e Pedro Magalhães

24 Setembro de 2011: Sílvia Rosado e Susana Mendes Silva

26 Novembro de 2011: Samuel Silva e José Maia

4 Fevereiro de 2012: André Principe e José Cortes

7 Abril de 2012: Filipa Valadares e Paulo Catrica

1 Dezembro de 2012: Pedro Gil e Pedro Lobo